O secretário-geral da UGT afirmou esta terça-feira que a presidente do CDS-PP lhe transmitiu que não porá em causa a concertação social no sentido de voto que terá na apreciação parlamentar da diminuição da TSU para os empregadores.

“Tenho uma garantia hoje da presidente do CDS-PP: como sempre fez, isso garantiu, em relação ao passado, valorizará o esforço da concertação e dos parceiros. Não tomará posições que ponham em causa o acordo obtido entre parceiros sociais”, afirmou aos jornalistas o secretário-geral da UGT, Carlos Silva.

O líder sindical falava após uma reunião com Assunção Cristas, na sede da central sindical, em Lisboa, na qual a líder do CDS não transmitiu concretamente o seu sentido de voto, sublinhando, contudo, de acordo com Carlos Silva, que não porá “em causa a concertação social” no parlamento.

Assunção Cristas já tinha falado aos jornalistas, sem divulgar o seu sentido de voto, seguindo depois para uma reunião com outro parceiro social, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

Ainda assim, os sinais parecem apontar em sentido contrário. A líder do CDS não só classificou a gestão do Governo socialista como um “desastre” e “irresponsabilidade”, como lembrou que, em 2016, os democratas-cristãos já tinham votado contra uma medida em tudo semelhante.

Na segunda-feira, Assunção Cristas já tinha defendido exatamente o mesmo. “Em 2016 votou contra uma medida parecida, com uma justificação muito clara e que tinha a ver com o facto da baixa da TSU ser financiada pela própria Segurança Social. Uma situação que não nos parecia de todo adequado”, sublinhou a líder democrata-cristã, em declarações aos jornalistas.

Antes, em entrevista ao Observador, e questionada se o CDS estava disponível, em teoria, para ajudar os socialistas a passarem o medida, Cristas foi bastante clara: “Não”. “Por uma razão muito simples”, explicou a líder do CDS. “O PS escolheu os seus parceiros e a sua via. Podia ter escolhido apoiar, nem que fosse com a abstenção, um governo de centro-direita e influenciar a governação de um governo PSD/CDS, impondo as suas condições, mas não quis. Foi por outra via, agora tem de colher aquilo que esteve a semear”.

Nas suas últimas intervenções públicas, no entanto, Assunção Cristas tem reafirmado o compromisso do partido de esperar pela publicação do diploma para tomar uma decisão formal sobre a orientação de voto. Agora, vê o secretário-geral da UGT a revelar que a líder do CDS deixou a garantia de que não porá em causa a concertação social no sentido de voto.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou esta terça-feira o decreto-lei do Governo que estabelece uma descida em 1,25 pontos percentuais da taxa social única (TSU) paga pelos empregadores, como medida excecional de apoio ao emprego.

A descida da TSU, contudo, está em risco, porque Bloco de Esquerda e PCP prometeram requerer a sua apreciação parlamentar, para a revogar, e o PSD anunciou que, nesse caso, também votará contra a medida.