“Nós não vivemos aqui, só sobrevivemos”. Lela Qachinabi é uma das quatrocentas pessoas que vivem num hospital militar abandonado em Tbilisi, capital da Geórgia. Oitenta dessas pessoas são crianças. Vivem nas franjas da sociedade georgiana desde a queda da União Soviética, quando uma nova economia atirou milhares de cidadãos para as margens do país. Não conseguem arranjar trabalho nem manter uma casa que possa ser chamada por esse nome: o governo apenas lhes oferece um subsídio de 45 láris por mês, o equivalente a 15 euros. Com este valor no bolso têm de escolher se querem pagar uma renda ou se preferem comer.

São cerca de 150 famílias e fazem deste hospital a sua própria comunidade. Só se têm uns aos outros. Costumam disfarçar as ruínas ou as paredes de cimento com papel de parede, móveis e acessórios que encontram nas redondezas do hospital com sete andares. Foi aqui que encontraram refúgio desde o início dos anos 90, durante a Guerra na Abecásia, que provocou 4 mil mortos, 10 mil feridos e mil desaparecidos. Ficaram presos nas teias dos conflitos passados e não há papel de parede floreado que o esconda: os canos de esgoto estão estragados, a porcaria escorre pelas paredes. E a única preocupação do governo parece ser cortar a luz e a eletricidade do edifício.

O fotógrafo Jake Borden deu rosto a estas pessoas. Entrou no hospital militar e ficou um dia inteiro com elas. As fotografias que captou estão na fotogaleria. Pode seguir o trabalho do artista através do Facebook ou a partir deste link.