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Feriados

PS mantém-se irredutível: Carnaval não vai ser feriado obrigatório

PEV e PAN levaram ao Parlamento dois diplomas que previam a transformação da terça-feira de Carnaval em feriado obrigatório, mas os socialistas voltaram a dizer que não aprovam a ideia.

"O PS já fez aquilo que lhe competia", afirmou o socialista Luís Soares

LUÍS FORRA/LUSA

Autor
  • Miguel Santos Carrapatoso

Os socialistas vão chumbar a terça-feira de Carnaval como feriado obrigatório. No dia em que Os Verdes e o PAN levaram ao Parlamento as respetivas propostas, o grupo parlamentar do PS lembrou mais uma vez que a medida não consta no programa do partido e, como tal, vai ser chumbada no Parlamento.

Na Assembleia da República, Luís Soares, deputado do PS, explicou que, na opinião dos socialistas, a “tolerância de ponto” que as empresas e a administração pública já estão em condições de oferecer “já é uma medida suficiente para valorizar” o Carnaval. Além disso, lembrou o socialista, em matéria de feriados o PS “já fez aquilo que lhe competia”, repondo os quatro feriados retirados pelo anterior Governo.

Ainda assim, a esquerda à esquerda do PS não deixou de defender a sua posição. “Chega de brincar ao Carnaval”, começou por dizer José Luís Ferreira, deputado d’Os Verdes, argumentado que o facto de o Carnaval ser hoje um feriado facultativo introduz incerteza na vida dos portugueses. Além disso, continuou o ecologista, há um número considerável de autarquias nas quais o Carnaval é uma festividade com um importante impacto económico, o “calendário escolar está organizado” também em função da festividade e a própria a GNR organiza a “Operação Carnaval”. “Não faz sentido ter uma parte do país a trabalhar e outra não”, rematou José Luís Ferreira.

André Silva, do PAN, acabaria por acrescentar a estes argumentos o facto de hoje como nunca as pessoas precisarem de tempo para estar com as famílias e reforçar laços. “Precisamos de mais tempo para a família e para viver e não apenas para sobreviver”, defendeu o ambientalista.

O PSD, que apresentou um projeto de resolução no sentido de recomendar ao Governo que considere a possibilidade de os feriados ditos obrigatórios serem gozados na segunda-feira seguinte, para evitar as pontes, também defendeu o seu ponto de vista: para o deputado Pedro Roque, o Executivo deveria considerar a hipótese de levar a medida à concertação social. Os sociais-democratas acreditam que uma solução desta natureza poderia ter um resultado “justo equilibrado e virtuoso” para a competitividade das empresas portuguesas.

A resposta à esquerda seria imediata. José Soeiro, do Bloco de Esquerda, acusou os sociais-democratas de terem uma “embirração obsessiva com as pontes” e classificou a proposta do PSD de inoportuna. “A sexta-feira Santa seria celebrada à segunda-feira? Nada disto faz sentido”, criticou o bloquista, terminando com uma provocação à bancada social-democrata: o PSD a dizer que respeita muito a concertação social? “Sem comentários, senhores deputados”.

Também Rita Rato, do PCP, devolveu as críticas ao PSD, acusou os sociais-democratas de terem “roubado” quatro feriados aos portugueses enquanto eram Governo e de quererem agora roubar as pontes e os dias de férias. Para os comunistas, tornar a terça-feira de Carnaval um feriado obrigatório “é da mais elementar justiça”.

Do lado do CDS pedia-se contenção, com António Carlos Monteiro a pedir que não se alterasse mais o calendário de feriados em Portugal. “É uma matéria que não necessita de alteração. Estamos na altura de ter alguma estabilidade”. Nesta matéria, socialistas e democratas-cristãos parecem estar do mesmo lado: não devem ser introduzidas mais alterações nos feriados.

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