O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, lamentou, esta quinta-feira, que o acordo de concertação social esteja em causa, no final de um encontro com o líder do PSD, e desafiou que futuras alternativas sejam discutidas com todos os partidos.

No final de um encontro de cerca de uma hora com o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, Carlos Silva afirmou que “não haverá alteração do comportamento” dos sociais-democratas de, na próxima quarta-feira, votar ao lado das apreciações parlamentares de BE e PCP, o que eliminará a descida da Taxa Social Única (TSU).

“Faremos a nossa digestão interna, claramente está em causa o acordo de concertação, não por iniciativa do PSD, mas quando votar contribuirá para isso. Resta esperar qual a alternativa que o governo irá apresentar”, referiu o secretário-geral da UGT, em declarações aos jornalistas, na sede nacional do PSD.

Carlos Silva manifestou ainda dúvidas se será possível encontrar uma alternativa à descida da TSU acordada em sede de concertação como forma de compensar o aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN): “Será que à esquerda qualquer alternativa para compensar as entidades empresariais será aceite?”.

“O apelo que fazemos é que nenhum partido fique de fora para encontrar um patamar de entendimento para futuro”, apelou.

Num resumo da reunião, Carlos Silva salientou que o PSD “não quer ser muleta do Governo, está discordante dos acordos feitos à esquerda no parlamento e entende que quem suporta Governo são BE e PCP e deveriam ser eles a suportar a medida”.

“Compreendemos perfeitamente os constrangimentos que o PSD nos apresentou, não foi o PSD que suscitou a apreciação parlamentar, foi o BE e o PCP, e cada qual tem de assumir as suas responsabilidades”, disse.

Para o futuro, o secretário-geral da UGT disse que importa perceber “qual a alternativa que o Governo irá apresentar”, questionando se outra forma de compensação do aumento do Salário Mínimo Nacional será aceite quer pelo PSD, quer pelos parceiros do Governo à esquerda.

“É bom que tenhamos consciência de que os parceiros sociais não se impõem ao parlamento, mas até hoje em 33 anos de concertação social é a primeira vez que um acordo está em vias de ser esvaziado porque um acordo não passa no parlamento”, alertou.

Carlos Silva salientou que “não é fácil” encontrar uma alternativa “tão automática” à redução da TSU dizendo que a questão foi longamente discutida em sede de concertação social.

“O que é irrazoável é pôr em causa o acordo de concertação social por decisões políticas, caberá ao Governo em primeira instância determinar como vai cumprir o acordo”, disse, apelando a um diálogo interpartidário.

“No parlamento e em democracia devemos falar todos com todos. Todos devem participar numa discussão para encontrar uma solução”, defendeu.