A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, pediu aos europeus que “acordem em 2017”, tal como os britânicos com o voto pelo Brexit, e os americanos com a eleição de Donald Trump já o fizeram em 2016, num discurso proferido durante a concentração de vários partidos e movimentos de extrema-direita numa cidade alemã.

A candidata às eleições presidenciais francesas falou num congresso que reuniu os principais partidos de extrema-direita na cidade alemã de Koblenz, que contou ainda com a presença de Frauke Petry, a líder do partido anti-imigração alemão Alternativa para a Alemanha (AfD), Geert Wilders, líder do partido de extrema-direita holandesa Partido da Liberdade (PVV), que ainda no mês passado foi condenado por incitar à discriminação contra cidadãos marroquinos, e Matteo Salvini da Liga do Norte italiana, que defende, por exemplo, a saída de Itália do euro.

Marine Le Pen disse às várias centenas de pessoas que se reuniram para a ouvir em Koblenz que o Brexit tinha criado um “efeito dominó” que se espalhará por toda a União Europeia e que o discurso de tomada de posse de Donald Trump tinha “tons comuns” com a mensagem de “soberania nacional” que os líderes ali reunidos esperavam conseguir reproduzir nos seus próprios países. “A posição de Donald Trump em relação è Europa é simples: ele não apoia a subjugação dos povos”. disse ainda Le Pen.

Este é um ano com várias eleições na Europa. Geert Wilders, na Holanda, está à frente em quase todas as sondagens para as legislativas marcadas para 15 de Março. “Ontem nasceu uma América mais livre, hoje é Koblenz e amanhã todo o resto da Europa”, disse Wilders que deixou ainda um aviso: “o génio não vai voltar para dentro da garrafa”. Para o líder do Partido da Liberdade, 2017 será “o ano das pessoas, o ano da libertação, o ano do renascimento patriótico e ano em que vamos acabar com a mania do politicamente correto”.

A líder da Frente Nacional é tida como uma forte candidata à segunda-volta das presidenciais francesas e a crítica à política de “portas abertas” da Europa não esteve ausente do seu discurso: “a política de imigração de Angela Merkel é um desastre diário”, disse Le Pen.

Os líderes da extrema-direita europeia reuniram-se sob um apelo comum: “Liberdade para a Europa”, mas não sem que vários meios de comunicação alemães tivessem sido impedidos de acompanhar o evento organizado pelo ENF – Europa de Nações e Liberdade -, o grupo mais pequeno do Parlamento Europeu. À frente do local onde se realizou o evento terão estado cerca de cinco mil pessoas, segundo a polícia local, que protestaram contra a realização do congresso, incluindo Sigmar Gabriel, vice-chanceler e ministro da Economia, e líder dos sociais-democratas alemães, partido que é parte da coligação que sustém Angela Merkel no poder.