O reforço dos sistemas de controlo de velocidade torna a vida particularmente difícil aos que gostam de circular mais depressa, ou aos que sentem mais dificuldade em passar a vida a olhar para o velocímetro, de forma a garantir que se deslocam abaixo dos limites impostos pela lei. Para cúmulo, em Portugal, isto surge numa altura em que à penalização monetária das multas há que associar o castigo em matéria de pontos na carta de condução, o que justifica toda a atenção por parte de quem vai ao volante. Ou mesmo um certo temor, sempre que nos cruzamos com uma daquelas caixas que podem, ou não, alojar no seu interior um sistema de medição de velocidade.

Porém, não é assim em todos os países. A começar pela Suécia, que possui um sistema inteligente que, penalizando quem prevarica, beneficia os bem-comportados. É a velha máxima do pau e da cenoura.

Inventado por Kevin Richardson, este inovador radar é muito mais sofisticado do que todos os restantes espalhados por aí. Por um lado, mede a velocidade dos veículos e, sempre que excedem o limite, identifica o infractor e emite uma multa correspondente. Caso os condutores exibam um comportamento responsável e respeitem as normas, o radar também os identifica, mas agora para juntar a sua matrícula a um sorteio, que atribui um prémio de 2.000€ a um felizardo entre os cumpridores, sendo que os prémios atribuídos são custeados com as penalizações pagas pelos infractores.

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O projecto de Richardson foi distinguido pelo The Fun Theory, um concurso levado a cabo pela Volkswagen, visando encontrar soluções que levem as pessoas a cumprir as regras pelo humor e diversão, em vez de motivados exclusivamente pela repressão. E, por que é sempre bom levar os projectos da teoria à prática, o inovador radar, conhecido como The Speed Camera Lottery, foi oferecido pelo construtor alemão à cidade de Estocolmo e está montado numa das principais artérias da capital sueca, onde a velocidade máxima é de 30 km/h.

Desde que entrou em funcionamento e considerando apenas os primeiros três dias, foram fotografados 24.857 veículos, que se deslocavam a uma velocidade média de 25 km/h, ou seja, menos 22% face ao valor médio de 32 km/h que se verificava antes do sistema eleito pelo The Fun Theory entrar em funções. Provando que, afinal e alguns casos, a cenoura é mais forte do que o pau.

Se olhar com atenção, vai descobrir sensivelmente no centro da imagem o periquito acelera

Senhor agente, persiga-me aquele periquito

A prova de que “tudo o que mexe” corre o risco de um dia ser apanhado nas malhas de um radar, chega-nos por via de um dos mais insuspeitos e inocentes animais do planeta. Os radares alemães – mas acreditamos que poderá acontecer em qualquer país, desde que se reúnam as necessárias condições – apanharam um periquito a “acelerar” loucamente numa zona em que a velocidade estava limitada a 30 km/h. O bicho ia com a agulha do velocímetro a bater nos 43 km/h e a sorte do pássaro é que não conseguiu ser identificado – de contrário, teria de somar à multa pelo óbvio excesso de velocidade, a ausência de luzes na traseira, inexistência de chapa de matrícula, falta da iluminação para a dita, entre muitas falhas que dependeriam da criatividade do senhor agente.

Os nossos conhecimentos de ornitologia não nos permitem confirmar se é efectivamente um periquito o prevaricador mas, tanto quando conseguimos apurar, esta raça apenas voa de noite para escapar a inimigos ou durante a migração (ambos os argumentos poderiam, eventualmente, ser utilizados junto da autoridade para alegar motivo de força maior para o excesso de velocidade).