A Polónia tem aumentado o antissemitismo ao longo dos últimos dois anos, em parte alimentado pela crise de migrantes na Europa, segundo um estudo divulgado esta semana. O Centro de Pesquisa sobre o Preconceito da Universidade do Centro de Varsóvia refere que a aceitação do discurso de ódio antissemita, especialmente entre os jovens polacos na Internet, aumentou entre 2014 e 2016 em relação a anos anteriores. O estudo foi baseado numa amostra de 1.000 adultos e 700 jovens.

Segundo o estudo, apenas 23% dos polacos declarou atitudes positivas em relação ao povo judeu em 2016, contra os 28% registados em 2015. Os investigadores atribuem o aumento devido a um pico de fobia ao Islão e a sentimentos anti-migrantes desencadeados pela pior crise migratória da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Os investigadores da Universidade de Varsóvia concluíram que o “medo aos muçulmanos que surgiu entre 2014 e 2016 aumentou os sentimentos negativos em relação aos judeus entre as pessoas, independentemente da sua idade ou filiação política”.

O estudo refere ainda que 37% dos entrevistados expressaram atitudes negativas em relação a judeus em 2016, em comparação com os 32% registados em 2015. De acordo com dados da investigação, 56% dos entrevistados disseram que não aceitariam um judeu na sua família, o que representa um aumento de quase 10% em relação a 2014.

Quase 32% dos entrevistados disseram que não queriam vizinhos judeus, em comparação com os 27% registados em 2014. A comunidade judaica na Polónia, com uma população de 38 milhões, tem menos de 10.000 pessoas.