Apresentado como o melhor superdesportivo da história da marca oval, do qual inicialmente não seriam feitas mais que 500 unidades em apenas dois anos de produção, a verdade é que nem mesmo facto de a Ford não revelar dados à partida importantes num desportivo, como a potência ou as prestações, impediu que a produção desaparecesse num ápice. Levando mesmo à formação de longas listas de espera de clientes ávidos de uma desistência, que lhes permitisse entrar no lote dos 500 eleitos!

Pressionado pelos inúmeros pedidos de compra, o fabricante norte-americano acabou por anunciar a extensão da produção por mais dois anos, passando assim para mil (250/ano) o número de unidades a fabricar. Uma decisão que, os clientes não deixaram de aplaudir… Apesar de continuarem sem saber os valores e as prestações do carro.

Finalmente, numa altura em que até mesmo a produção prevista para os quatro anos parece estar já esgotada, a Ford lá decidiu divulgar os números oficiais do seu novo superdesportivo, produzido exclusivamente no Canadá. E agora, uma vez desvanecido o mistério, a luta por um exemplar deve ganhar contornos ainda mais encarniçados. É que, segundo o fabricante, o V6 3,5 litros a gasolina que equipa o Ford GT debita qualquer coisa como 655 cv de potência, a par de 746 Nm de binário, 90% do qual está disponível logo às 3.500 rpm.

A par da potência, o V6 conta ainda com um inovador sistema que, basicamente, consegue eliminar o tradicional tempo de espera até à entrada em acção do turbocompressor. Como? Mantendo as turbinas em rotação, como forma de manter igualmente a pressão dos gases de escape no turbo, sempre que levantamos o pé do acelerador ou reduzimos. O que faz com que baste um pequeno toque no acelerador, para que a recuperação da pressão máxima do turbo seja quase imediata, garantindo assim também uma resposta quase instantânea da parte do motor. Basicamente, uma solução muito semelhante à encontrada nos novos motores turbo da Porsche.

Com um peso em vazio de 1.360 kg e os tais 655 cv de potência, o Ford GT anuncia uma relação peso/potência na ordem dos 2,07 kg/cv, ou 0,48 cv/kg, valores que lhe permitem posicionar-se num patamar idêntico àquele que ocupam os modelos que elege como principais adversários: o McLaren 675LT e o Ferrari 458 Speciale. A marca da oval garante que a sua proposta suplanta mesmo os rivais, graças ao trabalho realizado em domínios como os da aerodinâmica activa e passiva, fruto não apenas do design exterior do carro, mas também da construção dos componentes da carroçaria em fibra de carbono.

Durante o desenvolvimento do modelo, efectuado no circuito de Calabogie Motorsports Park, no Canadá, a Ford não deixou inclusivamente de comparar as prestações e o desempenho do GT com os desses dois rivais, fazendo-o nas mesmas condições e com o mesmo piloto. E assegura que o seu superdesportivo conseguiu ser mais rápido que um McLaren 675LT e que um Ferrari 458 Speciale, tendo feito como melhor volta ao traçado 2m9,8s, contra 2m10,8s do McLaren e 2m12,9s do Ferrari.

E se, em termos de eficácia, o Ford GT promete colocar em sentido a concorrência, o mesmo se deverá passar no que à velocidade de ponta diz respeito, com a marca da oval a afirmar que o seu superdesportivo atinge os 347 km/h. Ou seja, um valor muito próximo dos 350 km/h, prestação que só alguns, poucos, automóveis de sonho conseguem alcançar…