O ex-líder dos socialistas espanhóis, Pedro Sánchez, anunciou este sábado que será candidato ao cargo de secretário-geral do PSOE nas eleições primárias.

No discurso de apresentação da candidatura, o socialista explicou que este era o momento de se “comprometer” com os destinos do partido e do país. “Demonstrei que não me escondo, sobretudo durante os momentos difíceis”, afirmou Sánchez, durante um encontro com apoiantes na Andaluzia.

“Vamos lançar-nos numa aventura coletiva de base ampla, sem rótulos e com uma condição: somos socialistas e queremos derrotar a direita para transformar o nosso país e garantir um futuro próspero para o nosso povo”, sublinhou o socialista, citado pelo jornal espanhol El País.

Recorde-se que Pedro Sánchez deixou a liderança do partido, depois de ter visto a maioria dos socialistas a forçar a abstenção do PSOE na viabilização o Governo de Mariano Rajoy, desbloqueando um impasse político que durava há meses e evitando a terceira corrida às urnas.

Com o PSOE na oposição e o Partido Popular (PP) no Governo, Sánchez não deixou de criticar os que, no PSOE, defenderam a viabilização do Executivo de Rajoy. Estas primárias, assegurou o socialista, são uma escolha entre duas opções: “A nossa, um partido de esquerda onde os militantes decidem, ou aquela que se absteve perante Rajoy e deixou o PSOE em terra de ninguém”.

“Vamos devolver o PSOE ao trilho de que nunca deveria ter saído, da esquerda diferenciada da direita. Não será uma aventura fácil. Vai receber muitas críticas. Há poderes [internos] que querem fazer do [PSOE] um partido subalterno da direita. Mas eles não vão nos vão dizer o que pensar. É preciso uma grande mobilização. Que nenhum militante fique em casa”, atirou Pedro Sánchez.

A Pedro Sánchez deverá juntar-se Susana Díaz, presidente da Junta da Andaluzia, naquilo que será uma espéce de reedição da luta fratricida que resultou na saída do socialista da liderança do partido. Susana Díaz era um dos rostos mais destacados da ala do PSOE que defendia a viabilização do Governo de Rajoy através da abstenção e acabou por ganhar o braço-de-ferro com Sánchez. A confirmar-se a candidatura de Díaz, será o segundo e decisivo round entre os dois.