Juros da Dívida

Portugal. A “estrela cadente” do mercado de dívida, escreve colunista da Bloomberg

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Colunista da Bloomberg diz que país está num "vortex" de dívida excessiva e que o governo não está a fazer quaisquer favores a si próprio ao renegar a austeridade e ao reverter as políticas da troika.

MÁRIO CRUZ/LUSA

Portugal é a “estrela cadente” dos mercados de dívida da zona euro, escreve um colunista de uma rubrica da Bloomberg de comentário de mercados. Marcus Ashworth diz que “vêm aí tempos difíceis para a dívida portuguesa”, já que “Portugal era um menino bonito da consolidação orçamental, um trabalho duro que deu frutos” mas, agora, o Governo de António Costa tem feito reversões de medidas da troika e parece ter “pouco apetite” por controlar a dívida e manter a troika longe. Os investidores estão mais atentos, diz o colunista, e, portanto, “as coisas podem piorar no futuro próximo”.

O artigo da Bloomberg é um texto de opinião, não vinculando necessariamente a agência noticiosa. Ainda assim, o artigo tece duras críticas à forma como António Costa tem conduzido a governação e diz que a perspetiva de final das compras de dívida pelo Banco Central Europeu (BCE) está a tornar os investidores mais atentos à política interna em Portugal. “É verdade que têm sido meses difíceis para as obrigações em todo o mundo, mas Portugal está a evidenciar uma pressão especial“, diz Marcus Ashworth.

O governo não está a fazer quaisquer favores a si próprio ao afastar-se do caminho da austeridade. Portugal foi um menino bonito da consolidação orçamental durante a sua estadia de três anos nos cuidados intensivos, sob o anterior governo de centro direita. O trabalho duro deu frutos, como se viu na descida das taxas de juro”.

Em contraste com as políticas da era da troika, “o atual governo minoritário socialista, liderado por António Costa, reverteu os cortes dos salários e das pensões da Função Pública e os progressos na estabilização das finanças públicas desvaneceram-se”. Ashworth diz que o “Governo tem feito grandes esforços por comunicar que o défice ficará abaixo de 2,5% do PIB em 2016, mas não tem havido praticamente nenhum, ou nenhum mesmo, progresso na redução da dívida pública”.

A dívida elevada é um problema fundamental que nunca será solucionado a menos que haja um perdão de dívida — algo que, infelizmente, só acontecerá por cima do cadáver da Alemanha”.

É neste cenário que, como disse Klaus Regling recentemente, o presidente do fundo de resgates da zona euro, os mercados estão “nervosos” em relação à dívida de Portugal, ao estado do setor financeiro e às questões relacionadas com a competitividade.

O colunista da Bloomberg lamenta que o Governo tenha, por sinal, “perdido o apetite por controlar o endividamento e manter a troika longe”. Os investidores estão a começar a aperceber-se que algo mudou na política portuguesa e os próximos tempos não se afiguram fáceis.

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