O Presidente da República Helénica, Prokopios Pavlopoulos, disse esta segunda-feira, em Coimbra, que o projeto europeu está ameaçado, devido à crise económica, que também se deve à política de austeridade, que “tem de ser mudada”.

O chefe de Estado grego falava na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, durante uma conferência de imprensa conjunta com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Os nossos países passaram e passam por momentos bastante difíceis, isto por uma política económica de austeridade que criou muitos problemas para a coesão dos nossos países”, sustentou.

Esta política “específica da austeridade criou grandes problemas em toda a União Europeia”, que conjugada com “a crise dos refugiados” (também devida à “falta de solidariedade de alguns dos nossos parceiros”), cria “problemas existenciais para a Europa e para a sua coesão”.

A política de “austeridade específica”, que tem “muitos efeitos secundários”, tem de mudar “o mais depressa possível”, defendeu Prokopios Pavlopoulos, sublinhando que ela “faz aumentar a dívida pública, acentua as desigualdades, aumenta o desemprego, sobretudo dos jovens, e atinge e fere literalmente os alicerces do Estado Social”.

Não podemos ter apenas uma política de défice“, apelou, insistindo que “essa política tem de acabar” e que é necessária “uma política de crescimento sustentável”.

A política de crescimento que “temos na Europa não é sustentável, necessita de reformas, de investimentos, e requer também um fortalecimento da procura e da liquidez”, sustentou.

“Temos de conseguir também o Estado social”, que é “um elemento essencial da cultura europeia e, portanto, temos de proteger” e “devemos lutar para que estas políticas mudem”, afirmou o Presidente grego. “Estamos a defender não só os nossos povos, mas o ideal e o projeto europeu”, concluiu.