A coligação governamental dos sociais-democratas e do Partido Centrista da Áustria concordaram em proibir os véus que tapem por completo a cara das mulheres em locais públicos, tais como tribunais ou escolas. Esta medida está enquadrada num programa que visa combater a ascensão da extrema-direita no país, numa altura em que o chanceler Christian Kern tenta recuperar o seu partido (FPÖ), antes das eleições parlamentares, conta o The Telegraph.

“O véu integral será proibido em espaços públicos”, afirmou Kern, após as negociações estarem concluídas, acrescentando que a lei será implementada durante os próximos 18 meses. A declaração tem 35 páginas e inclui várias medidas de segurança que foram aumentadas e reforçadas. Quanto aos migrantes, terão que assinar um “contrato de integração” e uma “declaração de valores”.

Segundo o The Telegraph, no texto pode ler-se que “aqueles que não estão preparados para aceitar os valores do Iluminismo terão que deixar o nosso país e a nossa sociedade. Nós acreditamos numa sociedade aberta e que se baseia numa comunicação também ela aberta: a utilização de véus de corpo inteiro em locais públicos opõe-se a esta abertura e, portanto, serão proibidos.” Estes véus incluem tanto burcas como niqab, que cobrem a maior parte da cara.

Paralelamente, o acordo proíbe ainda que os polícias, juízes ou magistrados usem lenços na cabeça, de forma a mostrarem-se “ideologicamente neutros”.

A Áustria não é o primeiro país a proibir o uso de véus islâmicos integrais em locais públicos. A França já tem este acordo há seis anos (foi o primeiro país da União Europeia) e, em dezembro, Angela Merkel anunciou que essa seria uma das medidas a tomar se fosse reeleita. Bélgica, Holanda, Bulgária e Suíça também aprovaram esta medida.