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Donald Tusk. Administração Trump torna o futuro “altamente imprevisível”

O presidente do Conselho Europeu enviou uma carta a 27 estados-membros sobre os perigos que a UE corre. O principal é a geopolítica mundial, com Trump a tornar o futuro "altamente imprevisível".

Getty Images

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, diz que as declarações que chegam da administração do novo presidente norte-americano contribuem para “tornar o nosso futuro altamente imprevisível“. Numa carta enviada a 27 estados-membros da União Europeia — o Reino Unido não recebeu — para preparar a cimeira europeia que decorre em Malta em sexta-feira, Donald Tusk identifica três grandes ameaças que a UE enfrenta nos próximos anos.

“Os desafios que a UE enfrenta agora são mais perigosos do que nunca, desde a assinatura do Tratado de Roma”, começa por escrever o líder do Conselho Europeu. “Hoje, lidamos com três ameaças que não existiam antes, ou pelo menos não em tão grande escala”, lê-se no documento. A nova situação geopolítica a nível mundial, o crescimento dos nacionalismos dentro da Europa e, finalmente, a crescente falta de fé “na integração política”.

A primeira ameaça é a que merece mais atenção de Tusk, numa altura marcada pela entrada em funções da administração de Donald Trump. “Uma China crescentemente assertiva, especialmente nos oceanos, a política agressiva da Rússia relativamente à Ucrânia e aos seus vizinhos, guerras, terror e anarquia no Médio Oriente e em África, com o Islão radical a ter um papel importante, assim como as declarações preocupantes da nova administração americana tornam o nosso futuro altamente imprevisível”, escreve.

“Pela primeira vez na nossa história, num mundo crescentemente multipolar, muitos estão a tornar-se abertamente anti-europeus, ou no mínimo eurocéticos. Particularmente, a mudança em Washington coloca a União Europeia numa situação difícil, com a nova administração a colocar em questão os últimos 70 anos da política externa americana”, acrescenta Tusk.

O presidente do Conselho Europeu alerta ainda para o perigo dos nacionalismos dentro da União Europeia. “O egoísmo nacional está a tornar-se uma alternativa atrativa à integração“, escreve. Tusk apela ao “orgulho europeu”, garantindo que “não há razão para os líderes europeus se vergarem aos poderes e regras externos”.

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