A “Casa do Carnaval”, uma loja de fatos centenária em Lisboa, colocou para venda um fato de Carnaval inicialmente chamado de “Fato de Refugiado para Menino” no seu site de vendas online. O nome do fato foi entretanto alterado para “Fato Escolar para Menino”, mas o URL – endereço de rede que encaminha os internautas para um determinado site – continuava a dizer: “fato-de-refugiado-menino”. Agora, quem acede ao link é encaminhado para a página principal da marca porque o original foi apagado há instantes. No entanto, já há capturas de ecrã do antigo nome do fato a circular na Internet.

Captura de ecrã 2017-01-31, às 12.39.55

Foi Luís Monteiro, deputado do Bloco de Esquerda, que publicou o link, adjetivando-o de “asqueroso e revoltante”. O link partilhado pelo político na sua página de Facebook continuava operacional até há bem pouco tempo: quando alguém o partilhava nas redes sociais, mesmo depois de a marca ter alterado o nome, o nome continuava com a indicação de “refugiado”. Agora que o link foi apagado, ele diz “404 not found” no URL.

A Casa do Carnaval é uma loja com 127 anos que fica junto à Praça da Figueira, em Lisboa. O fato estava a ser vendido por 15 euros no site, com tamanhos “de 7 a 9 anos” e “de 10 a 12 anos”. Inclui uns calções, um casaco, uma camisa e um chapéu.Entretanto, a loja já pediu desculpa e disse ter sido um erro de catalogação de um funcionário, que decidiu intitular o produto assim. O fato já não está à venda e foi devolvido ao fornecedor.

A decisão chegou depois da SOS Racismo ter tecido duras críticas contra o produto nas redes sociais: “Esta loja acha que um refugiado pode bem ser um tema de brincadeira de carnaval, um belo disfarce para as crianças usarem e para se divertirem em alegres brincadeiras”.

Na época carnavalesca do ano passado, a Amazon também se viu obrigada a apagar os anúncios de venda de fatos de refugiado do seu site, após uma polémica que correu a Internet. Os fatos chamavam-se “wartime refugees” ou, em português, “refugiados do tempo de guerra” e foram apagados porque “podiam causar ofensa”, justificou a marca. No entanto, outros chamados “sexy burkas”, por exemplo, continuaram à venda.