Tim Steiner, assim se chama o homem que tem uma tatuagem nas costas desenhada por um artista famoso e que agora foi vendida a um colecionador de arte alemão. Quando morrer, a pele das suas costas vai ser retirada para poder ser exposta numa galeria de arte mas, até lá, ele passa o tempo sentado em museus em tronco nu, para que a sua obra de arte seja apreciada por todos, conta a BBC. “A obra de arte está nas minhas costas, eu sou só o rapaz que a transporta por aí”, afirma Steiner, ex-gerente de um salão de tatuagens em Zurique.

Tudo começou há cerca de dez anos, quando a sua namorada conheceu Wim Delvoye, um artista belga que se tornou polémico por tatuar porcos, e que lhe perguntou se conhecia alguém disposto a transformar-se numa “tela humana” para um novo projeto que tinha em mente. Steiner não hesitou. “Ela [namorada] ligou para o meu telemóvel e eu disse logo espontaneamente que sim”, admitiu.

Dois anos depois e após 40 horas de trabalho, a tatuagem ficou finalmente pronta. “É o expoente máximo de arte, aos meus olhos. Os tatuadores são artistas incríveis que nunca foram aceites no mundo da arte contemporânea. Pintar em tela é uma coisa, pintar na pele com agulhas é outra história”, revela Tim Steiner.

A famosa tatuagem de Tim Steiner

O trabalho foi intitulado de ‘Tim’ e vendido por 150 mil euros a um colecionador de arte, Rik Reinking, em 2008. “A minha pele pertence a Rik Reinking agora. As minhas costas são a tela, eu sou o quadro temporário”, rematou o antigo gerente do salão de tatuagens. No acordo com o negociante de arte ficou ainda estipulado que depois de Steiner morrer a sua pele iria ser cortada para posteriormente ser enquadrada na galeria de arte pessoal de Reiking.

A primeira exposição da tatuagem ao público teve lugar em Zurique, no ano de 2006. No entanto, o homem conta que a mais marcante foi feita no ano passado, em 2016, no Museu de Arte Antiga e Nova – MONA – na Tasmânia, onde trabalhou seis dias por semana durante cinco horas. A única coisa que o separava dos visitantes da galeria era uma linha desenhada no chão. No entanto, essa linha chegou a ser ultrapassada muitas vezes. “Tocaram-me, cuspiram-me, gritaram-me aos ouvidos e empurraram-me, parecia um circo”, recorda Steiner.

Tim Steiner durante uma das exposições em que participou

No entanto, isso não chega para desanimar Tim Steiner, que continua com vontade de exibir os desenhos que tem no seu corpo. Mesmo depois de morrer.