Um estudo publicado pela Cancer Research UK concluiu que a taxa de cancro nos próximos 20 anos deverá aumentar seis vezes mais rápido nas mulheres do que nos homens, dá conta o The Guardian. Isto explica-se pelo facto de muitos dos tipos de cancro relacionados com a obesidade afetarem mais as mulheres, o que faz com que seja provável que exista uma maior incidência da doença oncológica entre elas. Os casos de cancro dos ovários, colo do útero e cancro oral são os que se preveem que venham a registar maiores subidas.

Estes novos dados revelam o enorme desafio que continuamos a enfrentar, tanto no Reino Unido como no resto do mundo. A investigação é fulcral para que se possam descobrir maneiras de reduzir o cancro e assegurar a sobrevivência de mais pessoas, em particular para casos de difícil tratamento, onde as expetativas dos pacientes ainda são muito baixas. Temos de continuar a trabalhar para minimizar o impacto que o cancro pode ter em diversas famílias”, afirmou Harpal Kumar, chefe executivo da Cancer Research UK.

O tabagismo, a falta de exercício e o consumo de álcool são outros dos fatores para o aumento dos casos de cancro. Sarah Toule, responsável pela informação do departamento da saúde da World Cancer Research Fund, explicou que, no fundo, o mais preocupante é que as pessoas não façam nada para evitar que isto aconteça. “É muito preocupante que esteja previsto haver um aumento do cancro nas mulheres, especialmente porque a maioria dos casos podem ser evitados. Por exemplo, cerca de dois em cinco casos de cancro da mama poderiam ser evitados no Reino Unido se as mulheres mantivessem um peso saudável, fossem fisicamente ativas e não bebessem álcool. Outros tipos de cancro também poderiam ser reduzidos da mesma forma, incluindo no útero e nos ovários”.

No mesmo dia em que o estudo veio a público, foi também anunciado pelo National Institute for Health and Care Excellence (NICE) que o principal medicamento no combate ao cancro da mama – Palbociclib – deveria deixar de ser financiado pelo Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra.Uma decisão contestada principalmente pelas associações de ajuda ao combate do cancro e pelos médicos, que consideram que este fármaco ajuda a maior parte dos doentes.

O cancro é uma das doenças que afeta mais pessoas a nível mundial. Por ano, estima-se que sejam diagnosticados cerca de 7,4 milhões casos em homens e 6,7 milhões em mulheres.