O presidente do MPLA e chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, não integra as listas do partido às próximas eleições gerais, encabeçadas pelo general João Lourenço, candidato a Presidente da República de Angola.

A informação foi confirmada esta sexta-feira à Lusa, em Luanda, por fonte oficial do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), depois de o Comité Central do partido ter aprovado os candidatos, e suplentes, às eleições previstas para agosto e terem sido colocadas a circular listas em que surge, em número três, o nome de José Eduardo dos Santos.

O camarada Presidente [do partido e da República] não está nas listas“, afirmou a fonte, reservando para as próximas horas a sua divulgação oficial.

Apesar de não integrar as listas, José Eduardo dos Santos foi eleito em agosto último para novo mandato como presidente do MPLA e anteriormente ainda, em março, anunciou que pretendia deixar a vida política em 2018.

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Pela manhã, num discurso de 12 minutos com que iniciou a reunião do Comité Central, em Luanda, José Eduardo dos Santos anunciou — o que aconteceu pela primeira vez publicamente — que já está aprovado o nome do vice-presidente do partido e ministro da Defesa, João Lourenço, para cabeça-de-lista do MPLA às próximas eleições gerais, e candidato a Presidente da República, e do ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, também general na reserva, como número dois, concorrendo a vice-Presidente.

Na sua reunião de 2 de dezembro de 2016, no quadro da preparação do partido para participar nessas eleições [gerais, de 2017], o Comité Central aprovou o nome do candidato João Manuel Gonçalves Lourenço como cabeça-de-lista a candidato a Presidente da República e o nome do camarada Bornito de Sousa como segundo da lista e vice-candidato a Presidente da República”, anunciou José Eduardo dos Santos.

José Eduardo dos Santos é Presidente de Angola desde setembro de 1979, cargo que assumiu após a morte de Agostinho Neto, o primeiro Presidente angolano.

A Constituição angolana aprovada em 2010 prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos, elegendo 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco deputados pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país (total de 90).

O cabeça-de-lista pelo círculo nacional do partido ou coligação de partidos mais votado é automaticamente eleito Presidente da República e chefe do executivo, conforme define a Constituição, moldes em que já decorreram as eleições de 2012.

O general João Lourenço, ministro da Defesa angolano, afirmou hoje que a única prioridade que tem neste momento, enquanto candidato do MPLA a Presidente da República, é “vencer as eleições” deste ano.

“Estou preparado para aceitar este desafio (…). Tudo farei para honrar a confiança que em mim foi depositada”, disse João Lourenço, também vice-presidente do MPLA, após a reunião do Comité Central. “A minha única prioridade neste momento é trabalhar para vencer as eleições e depois veremos”, disse, questionado pelos jornalistas.