O ex-primeiro-ministro angolano Marcolino Moco considerou esta sexta-feira que o anúncio de José Eduardo dos Santos de que vai abandonar o poder não chega para garantir que Angola vai ter “uma nova vida” com maior respeito pela Constituição e liberdades.

“Esse tipo de anúncio ainda não nos garante nada: só o tempo é que nos vai dar certezas” sobre se “efetivamente Angola vai ter uma nova vida”, referiu.

Marcolino Moco considerou que “o ambiente de tensão só pode acabar quando tivermos uma política aberta, que corresponda aquilo que a Constituição diz” em vez de haver repressão de manifestações, por exemplo.

O vice-presidente do MPLA e ministro da Defesa, João Lourenço, é o candidato a Presidente da República nas eleições deste ano e Marcolino Moco duvida que encarne uma mudança política. “Não penso que à partida signifique mudança”, referiu.

No entanto, o MPLA “nunca permitiu que as pessoas demonstrassem efetivamente aquilo que são enquanto estão lá dentro, pelo que não é fácil fazer uma avaliação prévia”, acrescentou.

“É uma grande oportunidade”, sublinhou Marcolino Moco, que olha para o momento com “esperança” em que “uma nova pessoa possa trazer novos elementos para dentro e fora do MPLA”.

Marcolino Moco, advogado e docente universitário, foi primeiro-ministro angolano entre 1992 e 1996 e desempenhou também funções como secretário-geral e membro do comité central do MPLA, partido que governa Angola desde 1975. Foi ainda o primeiro secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).