A Kia escolheu Portugal, concretamente a zona de Sintra, para dar a conhecer à imprensa internacional (mais de 450 jornalistas oriundos de 27 países) o Rio da nova geração.

Profundamente revisto em todas as áreas, tem renovados objectivos em termos de vendas na Europa, para lhe assegurarem um estatuto ao nível do que já detém a nível global. Maior por dentro e por fora, mais refinado e apostando forte na segurança, o novo utilitário sul-coreano chega ao mercado nacional em Março.

É seguro?

Tem tudo para ser um dos melhores da sua classe neste domínio tão importante. E começamos por este ponto porque não só a Kia aspira a conquistar, com o novo Rio, a ambicionada classificação de cinco estrelas nos testes do Euro NCAP, como este é o primeiro modelo do seu segmento a oferecer o sistema de travagem autónoma de emergência em cidade, com reconhecimento de peões por radar.

Mas há mais. Também está disponível o sistema de alerta de saída involuntária da faixa de rodagem, a que se juntarão, no final deste ano, a monitorização do ângulo morto, o assistente de máximos e o sistema de alerta do condutor (que monitoriza a respectiva atenção, emitindo sinais visuais e acústicos sempre que interpreta que o cuidado que está a dispensar à sua tarefa não é o ideal).

E o Rio não fica por aqui em matéria de segurança activa. O controlo electrónico de estabilidade é de série, tal como o são os novos sistema de controlo de travagem em curva e de estabilidade da travagem em linha recta. Perante tudo isto, é quase uma evidência que do lote também fazem parte os seis airbags (frontais, laterais e de cortina) e as fixações Isofix, para cadeirinhas de criança, nos bancos traseiros e do passageiro da frente.

Por fim, uma nota para o aumento significativo da rigidez estrutural, assegurado por um recurso mais extensivo a aços de elevada e ultra-elevada resistência. Medida que permitiu incrementar a protecção conferida aos ocupantes pela célula de segurança, e que também acarreta benefícios em termos dinâmicos.

E a estética?

Claro, os argumentos racionais são importantes, mas a estética continua a ser um dos factores decisivos aquando da compra de um automóvel novo. Neste particular, não há muito a apontar à quarta geração do Rio, que na Europa apenas é disponibilizado com carroçaria de cinco portas: o seu estilo foi definido pelos centros de design europeus e norte-americano da Kia, em colaboração com o seu departamento central de design sul-coreano, e o resultado é uma aparência mais distinta e madura, de imediato identificável com a marca.

Em plano de destaque estará a secção dianteira, marcada que é pela grelha tiger nose mais impositiva, com um acabamento em preto acetinado na rede e no contorno, e as novas ópticas dianteiras com luzes diurnas por LED em forma de “U”.

A traseira é mais discreta, mas acaba por integrar-se devidamente no conjunto. O resultado final pode não ser apaixonante, mas também não desagrada, bem pelo contrário, e seguramente terá a vantagem de ser menos “cansativo” de que algumas linhas mais radicais.

Sempre a crescer

Com 4.065 mm de comprimento, 1.450 mm de altura e 2.580 mm entre eixos, face ao seu antecessor, o novo Rio cresceu 15 mm em comprimento e 10 mm entre eixos, ao mesmo tempo que a altura foi reduzida em 5 mm. Os grandes beneficiários desta evolução serão os passageiros traseiros, que contam com um espaço habitável mais desafogado. Já a capacidade da mala, com 325 litros, ganhou 37 litros, é uma das maiores da classe e beneficia ainda do banco traseiro rebatível e do limitador de carga amovível, possível de colocar em dois níveis de altura.

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Com um estilo e uma decoração assentes nos mesmos pressupostos que definiram as linhas da carroçaria, o interior ganhou também em ergonomia, sendo imperioso referir o ecrã táctil “flutuante” de comando do sistema de infoentretenimento, que pode ser de 5” ou de 7”, consoante os níveis de equipamento.

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Espaços de arrumação para pequenos objectos é o que também não falta a bordo, a qualidade construção, apesar dos plásticos maioritariamente duros, é rigorosa o suficiente para garantir um robustez digna de registo, que deixa antever um envelhecimento sem queixumes de maior – assim fazendo jus à melhor tradição oriental nesta matéria.

Três opções de motor

Em Portugal, o novo Rio será proposto com três motorizações. A de menor cilindrada é, também, a mais evoluída e poderosa: um três cilindros turbcomprimido de 998 cc, capaz de oferecer 100 cv de potência e um binário máximo de 172 Nm, constante entre as 1.500 rpm e as 4.000 rpm, e de permitir ao modelo alcançar 188 km/h e cumprir os 0-100 km/h em 10,7 segundos, para um consumo combinado de 4,5 l/100 km. Apesar disso, o importador nacional da Kia aposta que será a versão equipada com o mais convencional motor 1.2 atmosférico de 84 cv e 122 Nm deverá ser a mais procurada no nosso país, até porque será a mais acessível da gama.

E para quem o Diesel seja imprescindível, lá está na gama do Rio o conhecido 1.4 CRDi, nas suas versões de 77 cv e de 90 cv, em que vale bem a pena salientar o consumo combinado de 3,5 l/100 km e de 3,8 l/100 km, respectivamente.

Bem comportado

Na estrada, uma das primeiras notas de destaque no novo Rio vai para o progresso registado no isolamento acústico do habitáculo. Com a notória intrusão do ruído do motor no habitáculo, nas situações de maior esforço, a dever-se menos ao nível de insonorização do que às características intrínsecas das unidades motrizes, como prova a redução evidente dos ruídos de rolamento e aerodinâmicos.

Por outro lado, a Kia afirma que a maior rigidez estrutural lhe permitiu adoptar uma afinação mais macia dos elementos elásticos da suspensão, para aumentar o conforto, domínio em que o novo Rio também acaba por convencer, ultrapassando a maioria das irregularidades com uma competência suficiente para não importunar excessivamente os passageiros.

Concentradas as nossas atenções na versão expectavelmente mais vendida, há que salientar que acaba por constituir um compromisso muito aceitável em termos de consumo e facilidade de condução. O motor 1.2 não oferece, naturalmente, prestações de perder a cabeça, e nas situações de maior carga e/ou relevo exige um recurso mais intenso à muito suave e precisa caixa de cinco velocidades. Mas quando bem utilizado, é suficientemente agradável e económico, do mesmo modo que o comportamento prima pela previsibilidade e honestidade de reacções, tudo concorrendo para uma condução agradável e dentro do exigível a um automóvel com esta vocação e preço.

Objectivos renovados… e justificados

Segundo modelo mais vendido do construtor a nível global (cerca de 450.000 unidades vendidas em 2016, representando 15% das vendas da marca), o Rio é o terceiro Kia mais vendido na Europa. Para esta quarta geração do seu utilitário, a casa sul-coreana ainda não ambiciona a mesma hierarquia que se regista em termos mundiais, mas sempre adianta que pretende que, no Velho Continente, o Rio seja capaz de vender, pelo menos, tanto quando o cee’d e o Sportage.

Em Portugal, como por quase toda essa Europa, é óbvio que não será fácil ao Rio enfrentar “pesos-pesados” do segmento mais importante do mercado, como o Renault Clio, o Ford Fiesta, o Volkswagen Polo, o Opel Corsa, o Peugeot 208 ou o Citroën C3 – e isto só para citar alguns dos nomes mais marcantes da classe. Mas o utilitário da Kia tem a seu favor dois argumentos que podem ser determinantes, assim se inicie a sua comercialização no nosso país no próximo mês de Março: um preço inferior ao da esmagadora maioria dos seus rivais e uma garantia de sete anos ou 150 mil quilómetros.

Assim, a versão 1.2 custa 15.600€ com o nível de equipamento LX, 16.050€ com o nível SX e 17.800€ com o nível EX. O 1.0 T-GDi só estará disponível com o nível TX, custando 19.300€. Ao passo que as variantes a gasóleo orçam em 19.500.€ no caso do 1.4 CRDi LX de 77 cv (19.750€ com o nível SX), e em 21.980€ no caso do 1.4 CRDi EX de 90 cv (22.830€ com o nível de TX).

Junte-se a isto um equipamento de série bastante interessante, em qualquer das versões, e uma eventual campanha de lançamento que reduza significativamente estes valores, e há que reconhecer que o novo Rio terá de ser, pelo menos, opção a considerar na sua categoria.