O Irão já anunciou que vai responder às sanções económicas aplicadas pela Administração Trump na sexta-feira e, numa decisão igualmente de desafio aos EUA, Teerão decidiu avançar já este sábado com mais testes de mísseis balísticos — testes semelhantes aos do último domingo, que acentuaram a polémica entre Trump e Teerão.

Segundo a Reuters, o site da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão não esconde que o objetivo dos exercícios deste sábado é “demonstrar o poder da revolução do Irão e desprezar as sanções”. O exercício vai envolver sistemas de mísseis construídos no país, radares e sistemas de guerra cibernética, segundo as agências noticiosas locais.

Esta está a ser reação do Irão a Donald ter dado um “cartão amarelo” ao Irão, na quinta-feira. Depois de criticar o “acordo idiota” celebrado por Barack Obama com a Austrália, sobre os refugiados, Trump considerou “horrível” outro acordo liderado pelo seu antecessor: o acordo nuclear com o Irão. Um acordo que, para o novo Presidente dos EUA, correspondeu a pouco mais do que uma linha de crédito de 150 mil milhões de dólares. O Irão “devia estar grato” aos EUA, em vez de estar a disparar testar mísseis (algo que pode ter sido uma violação da resolução das Nações Unidas que foi redigida após o acordo nuclear Washington-Teerão).

Através do Twitter, Donald Trump diz que o Irão está a “brincar com o fogo” e garante que não irá ser tão “simpático” como Obama foi, na opinião do Presidente dos EUA.

As tensões entre os EUA e o Irão estão a subir, claramente, mas o Secretário da Defesa, Jim Mattis, afirmou que a Administração não está a equacionar um aumento dos efetivos militares no Médio Oriente, apesar deste “mau comportamento” do Irão. Mas avisou que os EUA estão atentos às atividades iranianas.

No que toca ao Irão, trata-se do maior Estado patrocinador de terrorismo no mundo”, afirmou Mattis numa conferência de imprensa em Tóquio, acrescentado que os Estados Unidos não têm, no entanto, planos para aumentar o número de tropas no Médio Oriente.

“Não adianta ignorá-lo. Não vale a pena descartá-lo e, ao mesmo tempo, não vejo qualquer necessidade de aumentar o número de forças que temos no Médio Oriente neste momento. Temos sempre capacidade para o fazer mas neste momento não acho necessário”, disse.

Trump afirmou – em campanha e já depois de eleito – que iria “rasgar” o acordo nuclear que os Estados Unidos – a par da Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha – assinaram com Irão, que permitiu o levantamento de sanções económicas contra Teerão.

Para os Estados Unidos, o ensaio desta semana viola a resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, que exorta o Irão a não testar mísseis capazes de transportar uma arma nuclear.