Para fazer uma “homenagem à Casa Pia”, instituição “socialmente muito importante”, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, demorou-se esta segunda-feira numa visita ao Colégio Pina Manique, de onde saem vários profissionais em relojoaria para trabalhar na Suíça.

Depois de na semana passada se ter empenhado em dar visibilidade ao voluntariado, a agenda pública de Marcelo de Rebelo de Sousa começou esta segunda-feira, ao final da manhã, com uma visita ao Colégio Pina Manique da Casa Pia de Lisboa.

É uma homenagem que se faz a uma instituição que é socialmente muito importante no nosso país“, disse o Presidente da República aos jornalistas, destacando a formação em alguns domínios de ponta, como a visão, a relojoaria, a restauração e a mecânica automóvel.

O Presidente da República destacou ainda o “prestígio internacional” reconhecido à instituição, dado o exemplo da Suíça, onde “há vários profissionais da Casa Pia no domínio da relojoaria”. O convite para ir ao colégio já tinha “muito tempo”, mas Marcelo quis “organizar a vida para ver os vários cursos” e fazer assim “uma visita longa”. E cumpriu.

“Ai que saudade que eu tenho de ter saudade”, ouvia-se no pátio interior do colégio, onde ao som do “Desfado” de Ana Moura, os alunos fizeram uma coreografia especialmente para Marcelo, que terminou com um “bem-vindo à Casa Pia senhor Presidente”, ‘escrito’ pelos vários alunos, que, um a um, nas costas da camisola branca envergavam as letras azuis que compunham a frase de boas-vindas.

O desafio para que Marcelo acompanhasse um pouco da coreografia não demorou: “venha senhor Presidente”, pediu um aluno.

O chefe de Estado começou por recusar amavelmente — “eu vejo, eu vejo”, foi respondendo –, mas perante a insistência, Marcelo lá avançou perante a êxtase dos alunos, tendo acompanhado apenas com as palmas nos momentos certos e preferindo deixar as pernas sempre no mesmo lugar.

Marcelo tinha sido recebido pela rainha Maria I e pelo intendente geral da Polícia de Pina Manique – representados pelos alunos, que solenemente nunca saíram das personagens -, mas depois, durante o resto da visita, foram dois alunos de turismo que tiveram a difícil tarefa de conseguir levar Marcelo de uns pavilhões para os outros uma vez foram muitas as solicitações por parte de alunos, professores e funcionários para tirar as já famosas “Marcelfies”(selfies com Marcelo Rebelo de Sousa).

O Presidente da República esteve na biblioteca e depois, a caminho do edifício onde pôde ver o trabalho que é feito pelos alunos nos cursos de ótica e relojoaria, foi interpelado pelos jornalistas sobre a visita ao colégio, destacando o trabalho “muito importante no domínio da técnica, da ciência, das profissões, do desporto”.

“Isso já começou há séculos, mas foi particularmente importante ao longo do século XX e agora no século XXI”, destacou, avisando que ia ser uma “visita demorada e com tempo para ver o máximo” que conseguisse.

No curso de relojoaria, Marcelo demorou-se com cada um dos alunos que estavam a executar trabalhos de precisão e por mais de uma vez questionou o professor: “tem a certeza que não faz mal aos olhos”. O professor tranquilizou-o: “Eu só comecei a usar óculos depois do 40, o normal portanto”.

Mais uma volta no colégio, mais um momento inesperado: o Presidente da República falou ao telefone com a mãe de uma aluna. “A sua filha tem uns olhos muito bonitos e tem uns dentinhos de Bugs Bunny. Beijinho e parabéns pela filha”, atirou, antes de desligar.

A comitiva ainda teve tempo para visitar os alunos de mecânica — que o Presidente da República quis conhecer o currículo e a forma como fazem a integração no mundo de trabalho — seguindo-se a visita à cozinha onde tinha sido confecionado o almoço que depois foi servido ao chefe de Estado.