Se há estudos e sondagens que indicam que, ao dia de hoje, Donald Trump voltaria a vencer as eleições para a presidência dos EUA, também não merecerá grande contestação que este está longe de ser o presidente mais popular ou consensual dos EUA. Em certas regiões, como em determinados sectores da sociedade, cresce de tom a oposição quer à nova administração, quer a quem da mesma se encontra próximo.

No mundo dos negócios, foram nada menos do que 97 as empresas do que será, porventura, o principal polo tecnológico norte-americano (Silicon Valley) que assinaram a petição contra a ordem do Executivo liderado por Trump, que visa impedir a entrada no país de imigrantes provenientes de sete países predominantemente muçulmanos. A Uber é uma delas, e diz-se que o seu CEO, Travis Kalanick, não só aderiu a este movimento, como abandonou o conjunto de conselheiros económicos de Trump, muito por causa das fortes pressões e críticas de que foi alvo nesse sentido por parte do público.

Neste turbilhão de acontecimentos, quem também parece estar cada vez mais incomodado com a situação é Elon Musk, o CEO da Tesla. Também ele conselheiro económico do novo presidente, tem sido por muitos apelidado como o “amigo capitalista” por permanecer nesse painel, e há já quem afirme ter, por isso, desistido da sua encomenda do Model 3, o novo modelo de acesso à gama da marca de Palo Alto, a lançar ainda este ano.

O Model 3 é crucial para as contas da Tesla

Uma decisão que, naturalmente, estará longe de agradar a Musk. E mais ainda se tiver tendência para propagar-se e atingir um efeito de escala, ou não fosse o Model 3 tido como o modelo que permitirá, finalmente, à Tesla atingir o equilíbrio financeiro.

Ainda assim, o empresário de origem sul-africana continua a preferir abordar o problema de forma diferente. Aos que o criticam, tem respondido com algumas questões, como habitualmente colocadas através do Twitter. Por exemplo, e a propósito da sua permanência enquanto conselheiro de Trump, pergunta: “Como poderá ser positivo só ter extremistas a aconselhá-lo?”. Ao mesmo tempo que afirma: “Os activistas deveriam pressionar no sentido de existirem mais moderados a aconselhar o presidente. Não menos.”

O problema, nestas coisas das redes sociais, é que só muito dificilmente este tipo de pergunta fica sem resposta. Na referida petição, apoiada pela Credo (auto-denominado como o único operador de telecomunicações progressista dos EUA, habitualmente conotado com a ala mais à esquerda do panorama político local), também pode ler-se: “Porque permitem os empresários líderes o ódio de Trump?”.

Mas o documento vai mais longe, e pede mesmo a Musk que se “recuse a legitimar a agenda racista e xenófoba de Trump, recusando servir-lhe de conselheiro”. A Credo refere inclusivamente que, tal como aconteceu com Kalanick, a pressão pública poderia, e deveria, servir para o CEO da Tesla abandonar o lugar de conselheiro. Podendo ainda ler-se na dita petição: “Os CEO como Elon Musk, da Tesla, que participam nos conselhos consultivos de Trump, terão de fazer uma opção. Ou tomam posição em prol da moralidade e da dignidade humana, ou alinham com o ódio racista, misógino e xenófobo de Trump.”