Produzido pela Rimac Automobili, um pequeno fabricante croata, o Rimac Concept_One é um superdesportivo de dois lugares movido exclusivamente a electricidade que, com quatro motores a debitarem um total de 1.088 cv de potência e 1.600 Nm de binário, é o automóvel eléctrico mais rápido do mundo. Razão mais do que suficiente para os seus criadores tenham decidido colocá-lo à prova frente a um dos superdesportivos mais velozes com motor de combustão, o luxuoso Bugatti Veyron.

Mas esta não foi a primeira vez que os dois monstros – com mais de um milhar de cavalos cada – se encontraram. Semanas antes, tinham percorrido algumas das mais belas estradas da costa adriática, ocasião que terminou num circuito local, onde o Rimac deu provas de um comportamento mais ágil, como é evidente no vídeo.

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Depois do passeio e das voltinhas em pista, era altura de medir forças numa prova de arranque, um verdadeiro tira-teimas para decidir qual o mais rápido na aceleração até ao quarto de milha, ou seja, até serem percorridos os primeiros 402 metros.

Pela frente, o Rimac tinha um adversário de respeito, que reinou durante anos entre os superdesportivos a gasolina, apoiado no seu imponente motor com 16 cilindros em W e quatro turbocompressores, que sopram os 8,0 litros de capacidade até debitarem 1.001 cv de potência e 1.250 Nm de binário, força brutal que depois transmite ao solo através da tracção integral.

Colocados lado a lado sobre a linha de partida, os dois adversários deram rédea solta aos possantes corcéis e partiram que nem flechas rumo à linha de meta. Sem patinar, porque as quatro rodas motrizes a que os dois modelos recorrem anulam qualquer tendência nesse sentido, mas com o Rimac sempre na frente, logo desde os primeiros metros. Mais tarde chegou a explicação, com o avanço inicial do carro eléctrico a ser responsabilidade dos diferentes sistemas de controlo de tracção.

Enquanto o do Rimac gere a potência dos quatro motores eléctricos até 100 vezes por segundo, avaliando a aderência de cada roda e colocando aí o máximo de potência possível, o Bugatti recorre a um sistema convencional, que retira potência ao motor W16 momentaneamente sempre que as rodas patinam, voltando a acelerar quando elas ganham aderência. E, escusado será dizer, sempre que o sistema corta a potência do motor para ganhar tracção, o Veyron torna-se mais lento em aceleração.

As dificuldades do Bugatti foram ainda exacerbadas neste caso pela temperatura exterior que se fazia sentir, pois os pneus que a Michelin fabrica especificamente para o superdesportivo francês trabalham idealmente a partir de 7ºC, muito acima dos 5ºC negativos que se faziam sentir na Croácia.

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Depois do Rimac largar com mais facilidade e começar por liderar a corrida, o Veyron começou a aproximar-se e, sobre a linha de meta, a sua desvantagem era já inferior a um comprimento do adversário, ou seja, cerca de dois a três metros. A proximidade e, sobretudo, a baixa temperatura, levou a que se combinasse logo uma desforra, mas sob condições mais primaveris. O que alguma imprensa americana aproveitou, desde logo, para lançar a confusão e desafiar o Rimac a enfrentar o Tesla Model S P100D, veículo também ele exclusivamente eléctrico para a qual o fabricante anuncia uma capacidade de aceleração dos 0 a 100 km/h em 2,7 segundos, quando o Rimac necessita de “apenas” 2,6 segundos.

Os amantes dos superdesportivos a gasolina podem é torcer para que o dono do Bugatti troque o seu Veyron pelo novo Chiron, que possui 1.500 cv, o que certamente desequilibraria os pratos da balança a seu favor, tanto mais que passa pelos 100 km/h ao fim de somente 2,5 segundos. Uma batalha a seguir com atenção.