O volume de vendas da marca de moda de Ivanka Trump, filha do atual presidente dos Estados Unidos, registou uma queda durante o ano fiscal que terminou em janeiro. Dados revelados pelo Wall Street Journal (WSJ) referem que aquele indicador de atividade caiu para 14,3 milhões de dólares [13,4 milhões de euros], uma descida de 31,5% em comparação com a faturação no valor de 20,9 milhões de dólares registada durante o exercício anterior.

As quebras foram mais acentuadas durante a segunda, terceira e quarta semanas de outubro de 2016, período em que a campanha eleitoral para as eleições presidenciais norte-americanas, realizadas a 8 de novembro, estava ao rubro, envolta num clima de agressividade e crispação entre as candidaturas de Donald Trump e Hillary Clinton. Quando comparada com idênticos períodos do ano fiscal anterior, a faturação desceu mais de 70%. Os números divulgados pelo WSJ mostram, também, que as vendas de produtos Ivanka Trump, como vestuário e calçado, registaram descidas em 45 das 52 semanas do ano.

Outra fonte, a Slice Intelligence, revelou que as vendas online também não estão a correr de forma positiva. De acordo com a organização, o volume de negócios originado através de sites de comércio eletrónico recuaram 26% em janeiro de 2017, no confronto com idêntico mês de 2016. No Nordstrom.com, a quebra atingiu 63%, em variação homóloga, durante o quarto trimestre do ano passado e, no mesmo período, as vendas caíram 43% no Zappos.com e 31% na loja norte-americana da Amazon. Nos sites da Macy’s e da Bloomingdales o cenário foi mais otimista: no último trimestre de 2016, as vendas subiram 30% e 9%, respetivamente.

O desempenho negativo poderá estar relacionado com a campanha de boicote à marca, batizada #GrabYourWallet, que incentiva os consumidores a absterem-se de comprar produtos e serviços ligados aos negócios de Trump e dos familiares. A cadeia de retalho Nordstrom decidiu cessar a comercialização de bens Ivanka Trump. Negou que a opção estivesse relacionada com aquela pressão e explicou que se tratava apenas de uma reação à quebra de vendas registada nos produtos da marca.

Donald Trump é que não ficou satisfeito com a decisão da Nordstrom e contestou a iniciativa. Através da rede social Twitter, o inquilino da Casa Branca afirmou: “A minha filha Ivanka foi tratada muito injustamente pela Nordstrom. Ela é uma ótima pessoa — sempre a incentivar-me a fazer a coisa certa. Terrível”. O tweet gerou reações críticas, já que foi visto como uma “intromissão” do presidente dos EUA nos negócios da família, uma atitude que foi qualificada como um caso de conflito de interesses.

O porta-voz de Trump, Sean Spicer, defendeu a declaração do presidente e a conselheira do presidente, Kellyanne Conway, apelou à compra dos produtos da filha do presidente dos Estados Unidos: “Vão comprar os produtos da Ivanka. Detesto fazer compras, (mas) hoje vou fazê-las”, afirmou à cadeia televisiva Fox.

Na sequência da declaração do presidente norte-americano, as ações da Nordstorm sofreram uma queda na respetiva cotação em bolsa. O volume de vendas da rede retalhista progrediu 7,2% durante o trimestre terminado em 29 de outubro de 2016, ao totalizar 3,5 mil milhões de dólares [3,3 mil milhões de euros]. Não são públicos, ainda, dados mais recentes sobre o comportamento do volume de negócios da Nordstrom, mas a posição da empresa não é fácil. Depois de o boicote ter sido protagonizado por opositores de Trump, agora são apoiantes do multimilionário que se revelam indisponíveis para fazer compras nas lojas da cadeia de retalho, descontentes com a suspensão da venda de produtos de Ivanka Trump.