O meio-irmão do líder da Coreia do Norte foi assassinado esta segunda-feira no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia, confirmou uma fonte do governo sul-coreano à Reuters, por duas mulheres que o terão envenenado. Kim Jong-nam, 45 anos, morreu a caminho do hospital.

Até ao início da tarde sabia-se apenas que um norte-coreano não identificado morrera a caminho do hospital na segunda-feira. A identidade do homem ainda estava por confirmar, mas um funcionário das emergências já havia afirmado que a vítima nascera em 1970 e chamava-se Kim. A confirmação familiar chegaria pouco depois.

Kim Jong-nam, filho mais velho de Kim Jong-il, nascido da relação com Sung Hae-rim, uma atriz nascida na Coreia do Sul e que viria a morrer em Moscovo, na Rússia, morreu a caminho do hospital.

Kim Jong-nam, o meio-irmão afastado

Kim Jong-nam, em tempos apontado como sucessor de Kim Jong-il, pai do atual líder norte-coreano e segundo líder da Coreia do Norte depois de Kim il-Sung, caiu em desgraça em 2001 depois de ter sido detido no aeroporto de Tóquio quando tentava entrar no Japão com um passaporte falso. À polícia disse que queria visitar a Disneyland com a família, tal como recorda o britânico The Telegraph.

Exilado pelo pai, Jong-nam viveu em Macau até à morte de Kim Jong-il, em 2011. Mais tarde, depois da alegada execução do tio pelo regime norte-coreano, Chang Song-thaek, optou por uma vida discreta na Malásia com receio de represálias por parte do meio-irmão, que poderia vê-lo como uma ameaça à sua liderança. Jong-nam seria próximo do tio Chang Song-thaek, que chegou a ser o segundo homem mais poderoso do país antes da sua execução.

Em 2010, o meio irmão de Kim Jong-un manifestou-se contra o controlo dinástico da família e, especialmente, contra um terceiro líder da mesma família a suceder na liderança da Coreia do Norte, o que significaria o afastamento de Kim Jong-un, ao contrário do que veio a verificar-se: “Pessoalmente, sou contra a sucessão de terceira geração”, disse ao canal de televisão japonês Asahi, antes de o irmão mais novo suceder ao pai. “Espero que o meu irmão mais novo faça o seu melhor”.

Em 2011, Jong-nam terá sobrevivido a uma tentativa de assassinato.

De acordo com um relatório apresentado em 2016 pelo Instituto de Estratégia de Segurança Social sul-coreano, em cinco anos de poder o líder norte-coreano terá executado 140 funcionários. A isso soma-se a execução pública de cerca de 60 pessoas, de acordo com o mesmo documento.

Em 2015, Toshimitsu Shigemura, professor na Universidade Waseda, em Tóquio, disse ao The Telegraph que o jovem ditador Kim Jong-un ainda não tinha conseguido ganhar o apoio total da população. “Um líder da Coreia do Norte precisa de ter sucesso e de resultados e, até agora, ele ainda não consegui fazê-lo”.

Quem é quem?

Há décadas que a Coreia do Norte se tornou uma das sociedades mais secretas do mundo. A história do país recua a 1948, com a Coreia do Norte a nascer do caos que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial. Kim Il-sung, o “grande líder” foi também o primeiro e uma figura que haveria de moldar a política daquela nação durante quase 50 anos. O fundador da Coreia do Norte morreu em 1994, e sucedeu-lhe o filho Kim Jong-il, o “querido líder”.

Kim Jong-il terá nascido em 1941 e morreu na sequência de um ataque cardíaco em dezembro de 2011. Acredita-se que terá tido cinco filhos: o mais velho era Kim Jong-nam, que foi assassinado esta segunda-feira, e o mais novo é Kim Jong-un, atual líder da Coreia do Norte.

Kim Jong-nam e Kim Jong-un eram filhos de mães diferentes. O primeiro nasceu de uma relação entre Kim Jong-il e Sung Hae-rim, uma atriz nascida na Coreia do Sul, o segundo é filho de Ko Young-hee que, ao contrário das muitas amantes de Kim Jong-il, terá tido alguma influência junto do já falecido líder.

Kim Jong-un, que nasceu em 1983 ou em 1984, tornou-se assim o terceiro líder supremo da dinastia Kim apesar de ser o filho mais novo do líder Kim Jong-il (em geral a sucessão dinástica privilegia os mais velhos). Em 2010, Jong-un já tinha sido revelado como o provável herdeiro de Kim Jong-il e em 2012 tomou posse.

Acredita-se que a tarefa de orientar Kim Jong-un, quando este ascendeu ao poder, foi dada à sua tia, Kim Kyung-hee (filha do fundador Kim Il-sung e irmã de Kim Jong-il), e ao seu marido, Chang Song-thaek. Chang Song-thaek foi muito próximo do sobrinho até ser alegadamente executado em 2013, depois de ter sido acusado de tentar derrubar o regime.