A actualização a meio do ciclo de vida da gama Octavia – que a marca checa veio dar a conhecer, dinamicamente, em Portugal – acaba por traduzir-se, em grande parte, “naquilo que os olhos vêem”. Ou seja, desde logo na estética exterior, renovada mas agora também menos consensual, sem esquecer o equipamento, reforçado com tecnologia e soluções de infoentretenimento que facilmente saltam à vista. Mais: a evolução operada nesta última vertente é tal que está agora mais perto de rivalizar com argumentos há muito reconhecidos no familiar checo, como é o caso da excelente habitabilidade, da referencial capacidade de carga ou do convincente desempenho dinâmico. Qualidades a que não falta sequer a companhia de um bom preço, conforme o Observador já deu conta.

Mas o que é que mudou?

Na verdade, não muita coisa. Ou melhor, pouco de verdadeiramente substancial. Isto porque, a par de uma ligeira alteração nas dimensões exteriores (11 mm no comprimento da berlina, que passa a exibir 4,670 m; 8 mm na Break, que sobe para os 4,667 m), é no domínio da estética que as alterações são mais notórias… e polémicas.

Na frente, uma grelha redesenhada e novas ópticas bipartidas, a fazer lembrar o já desaparecido Mercedes Classe E W212, formam um conjunto que não é propriamente deslumbrante. Mesmo quando contando com tecnologia LED (diurna de série, opcional quando Full LED). Bem melhor, sem dúvida, a aplicação da mesma tecnologia nos farolins traseiros, com o tradicional ‘C’ reestilizado e mais consensual.

Já no interior, as linhas do habitáculo mantiveram-se praticamente inalteradas, inclusivamente em componentes já algo ultrapassados, como o painel de instrumentos. É na consola central que surge a principal novidade e motivo de interesse: um (opcional) ecrã táctil de 9,2”, que passa a estar disponível com os também renovados e agora mais funcionais sistemas de infoentretenimento Amundsen e Columbus. E que, graças a uma superfície totalmente vidrada, com óptimos acabamentos e sem botões, acaba por ajudar, a par dos bons materiais e da sólida qualidade de construção, às óptimas sensações de que é possível desfrutar a bordo.

Ao volante? Está-se bem. E à pendura, também

Confortável e correctamente sentados no lugar do condutor, voltámos a confirmar a atenção que a marca checa tradicionalmente dá a aspectos como a funcionalidade e ergonomia. Só continuamos é sem perceber o “porquê” do botão Start continuar a surgir, não no tablier ou até mesmo sobre o túnel de transmissão, mas na coluna de direcção, onde costuma estar o canhão da ignição…

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Quanto à habitabilidade, continua a destacar-se como um dos melhores atributos da marca checa. É óptima mesmo para cinco ocupantes, com muito espaço em todos os sentidos. Em síntese, é o sonho de qualquer família! Ainda para mais quando, como é o caso, surge acompanhada de uma bagageira “à altura”, cuja capacidade começa nos 590 litros (sedan), podendo mesmo chegar a acomodar até 1.580 litros. É obra!

Então, e em estrada?

Sem alterações na base (mantém-se a plataforma MQB) ou nas ligações ao solo (McPherson à frente; atrás, varia consoante os motores entre o multibraços e os quatro braços), são poucas as alterações que é possível sentir no comportamento do renovado Octavia, que usufruiu apenas de um ligeiro aumento na largura da via traseira (20 mm no sedan, 30 mm na carrinha).

Qualquer uma das carroçarias continua a oferecer o já conhecido e convincente pisar razoavelmente informativo, ainda que aveludado, de forma a garantir um maior conforto e boa relação com a estrada. Tudo conjugado com outras qualidades igualmente importantes, como é o caso da estabilidade, segurança e facilidade de condução.

Beneficiando de uma direcção versátil e que procura somar à leveza revelada nas manobras, o peso correcto e algum feedback sempre importante quando velocidades mais elevadas, ao novo Octavia não falta sequer um conjunto de tecnologias de segurança, activa e passiva, e de ajuda à condução, para tornar qualquer viagem mais confortável e descontraída. Ou até mesmo, caso seja esse o desejo do condutor, um tudo nada mais emocionante, graças à disponibilização do já conhecido Controlo Dinâmico Adaptativo do Chassis (DCC), com cinco modos de funcionamento: Normal, Eco, Sport, Individual e Comfort.

Nos motores, o destaque vai para…

Testámos dois blocos que estão, de certa forma, em lados opostos das preferências: o best-seller 1.6 TDI, a partir de agora com 115 cv (existe ainda uma outra versão, de apenas 90 cv), e o não menos conhecido 1.0 TSI, também com 115 cv. Propulsores que, conjuntamente com o 2.0 TDI de 150 e de 184 cv, estarão disponíveis no mercado nacional logo a partir lançamento, em finais de Março. Em Maio, chegam não só o novo 1.5 TSI de 150 cv que vem substituir o já vetusto 1.4 TSI, como as versões RS (2.0 TSI 230 cv com caixa DSG) e Scout (2.0 TDI de 150 e 184 cv com tracção integral e caixa manual ou DSG).

Em relação ao 1.6 TDI de 115 cv, destaque para a já conhecida e apreciada disponibilidade desde os regimes iniciais, acrescida de aceleração linear e uma boa dose de insonorização. A maior limitação continua a ser a opção por uma caixa manual de apenas cinco velocidades, em detrimento da transmissão de seis relações que já equipa este mesmo bloco noutros modelos do grupo. Algo que não se compreende, até pela forma como obriga o motor a funcionar em regimes mais altos e em maior esforço, especialmente quando em auto-estrada. Felizmente, isso até acaba por não resultar em males maiores, em termos de consumos, conforme comprovam os 6,2 l/100 km que fizemos… sem forçar.

Mais surpreendente é, sem dúvida, o desempenho do pequeno tricilíndrico 1,0 litros TSI também de 115 cv e 200 Nm de binário. O qual, conjugado com uma caixa manual de seis velocidades (também pode acoplar DSG de 7), aproveita as mais-valias decorrentes de um turbocompressor e da injecção directa de alta pressão para garantir uma resposta pronta ainda antes das 2.000 rpm, funcionando a partir daí de forma despachada e particularmente discreta. E, tudo isto, com consumos não menos convincentes: 6,7 litros foi o nosso registo num percurso de pouco mais de 100 quilómetros, entre estradas nacionais e auto-estradas, em que nem sequer nos coibimos de, nalgumas ocasiões, fazer algumas ultrapassagens mais “a rasgar”! Aspecto que, mesmo tratando-se de um carro apenas com dois ocupantes e praticamente sem bagagens, não deixa de ajudar àquilo que foi, sem dúvida, um óptimo registo!

E não está mais caro?

Na realidade, não. Aliás, tomando em linha de conta o reforço do equipamento, pode mesmo dizer-se que as diferenças face à geração que continua em comercialização são mínimas. A começar desde logo pelo sedan, cuja motorização 1.0 TSI com caixa manual de seis velocidades chegará ao mercado nacional com preços a partir de 21.399€ (Active), sendo seguido do 1.5 TSI de 150 cv, disponível apenas com o nível de equipamento mais completo (Style), cujo preço tem início nos 28.443€, e do desportivo RS, com motor 2.0 TSI de 230 cv e caixa DSG, a partir de 40.287€.

A gasóleo, a oferta começa no 1.6 TDI de 90 cv e nível de equipamento Active, por 26.389€, com o mesmo motor, mas de 115 cv e com caixa manual de seis velocidades, a anunciar preços a partir de 27.259€ (Active). Já o 2.0 TDI será comercializado a partir de 33.438€ (Ambition), ao passo que a variante de 184 cv, RS, surge por 38.499€.

Quanto à Break, a carroçaria com maior sucesso entre nós, tem preços desde os 22.749€ (1.0 TSI Active) nas motorizações a gasolina, com o 1.5 TSI a começar nos 29.707€ (Style) e o RS, nos 41.250€. Nos diesel, 27.482€ é o valor de entrada com motor 1.6 TDI 90 cv Active, seguindo-se-lhe a variante de 115 cv, a partir de 28.353€, e o 2.0 TDI de 150 cv, por 34.532€ (Ambition).

Quanto às versões RS, começam nos 39.539€ (2.0 TDI 184 cv), ao passo que a mais aventureira Scout tem como preço de arranque 42.164€.