Presidente Trump

Washington enfrenta um dia com menos mão-de-obra imigrante

É uma forma eficaz de sentirem a sua falta: faltar ao emprego. É isso mesmo que os imigrantes de Washington estão a fazer esta quinta-feira - e há patrões do seu lado.

Não será suficiente para que não consigam marcar uma mesa para jantar esta quinta-feira, mas os habitantes de Washington estão a preparar-se para o fecho de alguns serviços, incluindo escolas, creches, restaurantes e lojas de conveniência. Os imigrantes de Washington estão em greve — e há outras cidades que já confirmaram que vão aderir — como forma de demonstrar o papel essencial que têm no dia-a-dia da cidade. A lista de negócios fechados está aqui e está a aumentar.

O protesto começou nas redes sociais e chega em resposta às ações do Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, que traçou como uma das suas prioridades o combate à imigração ilegal. A ordem executiva assinada em janeiro por Trump colheu duras criticas um pouco por todo o lado – das artes à política – por impedir, de um dia para o outro, a entrada de pessoas de sete países de maioria muçulmana alegando razões de segurança nacional. Além disso, há a controversa questão do muro que Donald Trump quer construir ao longo de toda a fronteira dos Estados Unidos com o México, o que pode prejudicar as relações entre os dois vizinhos e afetar mais de 11 milhões de imigrantes, os que nasceram no México, ou 34 milhões, todos os que têm lá a sua origem.

Não se sabe ainda o grau de adesão que o protesto terá mas já há notícias nas redes socais de cafés e restaurantes, onde a presença de mão de obra imigrante é essencial, que escolheram fechar as portas:

Em Washington:

Em Austin, no Texas:

São Paulo, Minnesota:

Andy Shallal, originalmente iraniano, empresário que abriu uma cadeira de restaurantes em cidades como Nova Iorque, Austin, Washington ou Filadélfia vai fechar todas as localizações. Shallal emprega mais de 600 pessoas.

Também, José Andres, uma celebridade no mundo da culinária nos Estados Unidos, escolheu ficar do lado do protesto:

Ao protestos juntaram-se algumas escolas e creches, que autorizaram igualmente os seus funcionários a tirar este como um dia de férias pago. No Novo México, os estudantes que faltarem às aulas terão as suas faltas justificadas.

Erika Almiron, da associação de apoio a imigrantes latinos Juntos, em Filadélfia, disse à agência de notícias Associated Press, citada pela cadeia de televisão Al Jazeera, que o objetivo, além da possível paralisação de alguns serviços, “também passa pela tentativa de amenizar o estigma sobre as comunidades de cor”. Mais um nome grande da restauração, John Andrade, dono da cadeia Smoke and Barell, também disse que ia fechar todos os restaurantes, e David Suro, dono do Tequilas em Filadélfia e imigrante mexicano, irá igualmente participar.

Espera-se que o protesto se faça sentir principalmente em Washington, Novo México, Califórnia e outros estados com uma grande concentração de imigrantes.

Contudo também há pessoas que não concordam com uma forma de protesto que prejudica a economia e é “anti-americana”. Alguns dos comentários nas redes sociais são extremamente racistas mas outros mostram-se apenas contra este tipo de protesto que deixa as pessoas sem acesso aos serviços de que dependem. Algumas pessoas também se mostram preocupadas que este protesto revele a identidade de muitos imigrantes ilegais que poderão assim ser mais facilmente identificados e deportados.

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