A iniciativa “Cá vai Lisboa” junta no domingo mais de 80 ‘tuk tuk’, que vão dar passeios gratuitos aos lisboetas e turistas para chamar a atenção da população sobre a regulamentação municipal que está a ser preparada.

João Tarrana, da Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE), sublinhou à Lusa que a associação não está contra a regulação do setor, mas defende alterações ao Regulamento Municipal de Circulação de Veículos Afetos à Atividade de Animação Turística, que está até quarta-feira em consulta pública.

“Achamos é que tem de ser feito com equilíbrio e bom senso e ouvindo os interessados, que são as empresas operadoras”, explicou, acrescentando que os operadores concordam, por exemplo, que o número de veículos elétricos a circular na cidade passe de 50 para 100 por cento.

No domingo, entre as 10:00 e as 17:00, vão existir três pontos de partida para uma ’tour’ de meia hora, na zona do Planetário, em Belém, na rua Garrett, no Chiado, e na Praça dos Restauradores, perto do elevador da Glória, sendo que os 83 ‘tuk tuk’ que aderiram vão estar identificados com um autocolante cor de laranja no limpa para-brisas.

Segundo o responsável, há diversas questões que são abordadas no regulamento, mas que não estão especificadas, dando como exemplo os horários que não estão estipulados, as restrições de circulação que se remetem a um mapa. Critica ainda o facto de o documento falar em circuitos quando a atividade em questão é “fazer programas” tendo a autonomia que os turistas exigem.

“Não se podem, no fundo, estabelecer regras sem pesar as consequências das mesmas”, avançou, lembrando que não existem pontos de carregamento elétricos no Miradouro da Graça, um dos muitos locais visitados pelos ‘tuk tuk’, e que muitos pontos de carregamento elétrico na cidade não funcionam.

“Antes de definir regras temos de preparar a cidade para que isso seja possível. Já somos uma das indústrias com mais veículos elétricos a circular. Já somos um exemplo. Queremos ter um pouco mais de tempo para fazermos a reconversão total. Queremos uma autarquia reguladora e não castradora, é o repto que nós lançamos”, desafiou.

Daniela Miguéns, 22 anos, é desde dezembro passado proprietária e condutora do seu ‘tuk tuk’ de três lugares, movido a gasolina. Atualmente não sabe como irá ser o seu futuro e, se daqui a uns meses, continuará a ter trabalho, uma vez que, admitiu, não tem dinheiro para fazer a mudança para elétrico.

“Comprar um elétrico é muito caro e nem sequer tenho o dinheiro para o alterar, nem existe protocolo para o fazer. Não sei se daqui a uns meses terei trabalho. O que queremos no domingo é alertar a população para o que se está a passar”, desabafou a jovem.

Também João Mendes, empresário de animação turística, adiantou à Lusa não ser razoável a autarquia exigir uma “transformação de algo que não existe”, explicando que qualquer outro setor que tenha veículos a combustão e que lhe seja pedido que passe para elétrico “em seis meses fecha”.

“No nosso caso, temos também os ‘Go Car’, carrinhos amarelos, em que não existe solução para os transformar em elétricos. O carater deles é tão diferenciador que são uma pequena produção. Lisboa, por os ter, tem uma vantagem competitiva em relação a outros destinos com que compete e a câmara, ao exigir a transformação, basicamente fecha o negócio”, explicou.

João Mendes explicou a diferença de preços entre ‘tuk tuk’ a gasolina, que custam 7.500 euros, enquanto os elétricos rondam os 25 mil euros, sendo que uma transformação pode rondar os 12 mil. No entanto, frisou não ser “real a homologação de um veículo de combustão para elétrico”, explicando que pode demorar, pelo menos, dois anos a ser aprovada, já que a homologação atualmente existente é europeia e não nacional.

“No caso dos ‘Go Car’ e de outros, por serem produções pequenas, nem sequer existe solução. Uma coisa é definir uma janela de tempo de quatro, cinco anos, durante a qual se saia do setor, desinvestia-se ou tentava-se procurar soluções de mercado. Outra coisa é dizer para em seis meses encontrarmos uma solução tecnológica, aprova-la e torna-la ‘road legal’ para continuar a desenvolver o negócio. Para mim não é razoável”, concluiu João Mendes.