O presidente do Novo Banco diz que uma eventual manutenção de uma participação pública no capital da instituição, no quadro da operação de venda em curso. António Ramalho não quer comentar as negociações entre o Banco de Portugal e o fundo americano Lone Star, mas deixa esta nota.

“Se o Estado português, ou alguma entidade pública, ficar com as ações seguramente que é porque o banco vale e essas ações, mais tarde, poderão ser vendidas a bom preço”, afirmou o gestor em Évora à margem de uma conferência. Ramalho foi questionado acerca da hipótese de o Novo Banco não ser vendido na totalidade, mas apenas parcialmente, o responsável defendeu que “a melhor opção” será a que “permitir ao banco ficar mais sólido e dar um maior contributo à estabilidade do sistema financeiro, que é, neste momento, um desígnio nacional”.

O Banco de Portugal anunciou esta segunda-feira o início de um processo de negociações exclusivas e definitivas com Lone Star e, segundo informação noticiada por vários órgãos, está a ser negociada uma solução mista em que o Estado, neste caso através do Fundo de Resolução, poderia ficar com uma participação minoritária, para vender mais tarde. Esta possibilidade sempre esteve em cima da mesa, por exemplo, a proposta dos chineses do Minsheng Bank, que ficou pelo caminho, propunha a compra de uma participação maioritária, mas não a totalidade do Novo Banco, com planos para fazer mais tarde uma dispersão do capital em bolsa.

Nas negociações com a Lone Star, a manutenção de uma participação pública no Novo Banco poderia ser uma alternativa para a partilha de risco entre o investidor privado e o Estado, face à exigência de garantias públicas feita na proposta do fundo americano. No entanto, e enquanto entidade incluída no perímetro do Estado, qualquer exposição do Fundo de Resolução adicional ao montante que foi mobilizado para recapitalizar o antigo BES, e que já entrou as contas públicas, terá impacto no défice ou na dívida.

O Governo tem afirmado, e António Costa repetiu-o esta quarta-feira no Parlamento, que não quer dar garantias do Estado que protejam os futuro acionista dos riscos de perdas em créditos. E esta “linha vermelha” tem sido um dos focos do processo negocial que dura há vários meses e ainda sem prazo para terminar, para além de agosto, que foi o deadline imposto pela Comissão Europeia.

Para António Ramalho, o tempo é de descrição e não de declarações. Vincando que a sua missão é “gerir adequadamente o banco”, António Ramalho escusou-se também a revelar se existe algum prazo para finalizar o processo de venda: “Não me pergunte a mim o que é de César. César determinará os prazos”.

Ramalho recordou, contudo, que tem estado “naturalmente otimista” em relação a este processo.

“O banco é um banco que tem valor, que tem os seus problemas, que tem a sua maratona para correr, mas vamos corrê-la”, afiançou, à margem da conferência, subordinada ao tema “As Novas Culturas e Tendências do Setor Agrícola”.

António Ramalho lembrou hoje que, quando chegou ao NB, há seis meses, “disse que tinha vindo para ficar”. “Julgo que isso era um elemento essencial para a estabilidade do banco e aquilo que o banco precisava, que os clientes e os colaboradores exigiam. A Lone Star, ao ter dito o que disse, foi exatamente com o mesmo objetivo, de preservar o que de melhor há no banco e a sua relação com os clientes e os colaboradores”, reagiu.