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Marte

Quem é o engenheiro da NASA que tem um plano de habitar Marte numa colónia 3D

Behrokh Khoshnevis está convicto que Marte é a nossa próxima habitação. Este engenheiro está a trabalhar com a NASA de forma a criar uma colónia, impressa em 3D, onde se pode viver.

A impressora irá funcionar através de um comando idêntico aos dos videojogos, mas o sinal desde da Terra até Marte terá um atraso de oito minutos

Behrokh Khoshnevis é um engenheiro, professor da Universidade da Califórnia, que está a trabalhar com a NASA num projeto para tornar Marte no próximo destino viável. Desde 2011 que o homem trabalha na possibilidade de construir uma colónia no quarto planeta a contar do sol, conta a CNN.

Foi em 2004 que o engenheiro revelou o Countour Crafting, método revolucionário de impressão 3D capaz de imprimir um prédio com 2.500 metros quadrados, em menos de um dia. Em 2016, ganhou o prémio In-Situ Materials Challenge da NASA, pelo seu processo de impressão 3D através de materiais encontrados em Marte, como pó. Além disso, está habituado a trabalhar em condições cuja gravidade é zero. Khoshnevis foi entrevistado pelo CNN onde explicou as razões pelas quais acredita que Marte será a próxima habitação. É certo que não é a primeira ou mesmo segunda vez que se fala na possibilidade de construir habitações em Marte, mas há um detalhe no projeto deste engenheiro da NASA que, como o próprio defende, o torna viável.

Problemas…

O primeiro grande obstáculo que Khoshnevis encontra nos outros planos, é que os seus engenheiros pretendem levar materiais da Terra para construir em Marte, o que não é uma tarefa economicamente viável. O seu plano, pelo contrário, utiliza uma máquina capaz de imprimir com materiais do próprio planeta. Outra ideia sugerida por mais engenheiros é levar insufláveis para Marte, porém, Khoshnevis afirma que a forte radiação do planeta rapidamente degradaria este material.

Para contornar o entrave, o engenheiro propôs à NASA utilizar a sua impressora primeiro na Lua e depois em Marte, imprimindo estruturas através dos próprios materiais existentes no planeta em questão. Khoshnevis afirmou à CNN que utilizou dinheiro do seu próprio bolso para fazer várias experiências. Primeiro, comprou materiais idênticos aos lunares e marcianos, para verificar se eram ou não compatíveis com a sua máquina. Depois, submeteu os materiais ao calor excessivo, para verificar se iriam derreter.

… soluções…

Concluídos os testes, o engenheiro escreveu uma proposta à NASA para que pudesse utilizar esta máquina para construir infraestruturas noutros planetas sem que para isso fosse necessário levar materiais da Terra para a sua construção. Quando questionado sobre o maior desafio, prontamente respondeu que era conseguir levar esta tecnologia até Marte, nomeadamente em conseguir colocar o material no foguetão. Para tal, a máquina não poderá ser nem muito grande nem muito pesada, para que não seja necessário construir um foguetão maior e, com isso, elevar os gastos da missão.

Outra das vantagens do projeto, depois de ultrapassada a barreira do transporte da estrutura para Marte, é que a impressora não precisa de qualquer mão-de-obra para funcionar. Desde que aterram no planeta, começam a construção de forma automática. Num ambiente tão hostil para o ser humano como é Marte, ou mesmo a Lua, ter robôs capazes de enfrentar sozinhos as maiores adversidades é um grande passo para o homem.

Khoshnevis afirma que o processo a partir da lua vai ser mais fácil do que em Marte, isto porque a distância da Terra à Lua é menor e, por isso, é mais fácil de controlar mecanicamente a máquina a partir da Terra. Em Marte, a distância não facilitará o trabalho de tentar controlar os dispositivos, que terão um delay significativo. Para que se consiga movimentar a impressora, haverá uma espécie de comando de videojogo, que no entanto terá um atraso de cerca de oito minutos desde que o sinal sai da terra até chegar a Marte.

Para que a máquina funcione de forma automática, fora da Terra, é necessário que primeiro existam alguns trabalhos, tais como a conexão das impressoras a uma espécie de grade de energia, idêntica a painéis solares; arranjar um mecanismo capaz de armazenar os materiais lunares ou marcianos de forma a que, posteriormente, sejam impressos na forma pretendida; construir almofadas de aterragem; proteção contra a radiação, etc. Só depois de tudo isto é que Marte se pode tornar no habitat do homem, conta o engenheiro à CNN.

… e uma expetativa

Sobre o tempo que processo levaria para estar concluído, o engenheiro ponderou que, dentro de 50 anos ou menos, Marte deverá estar prontamente preparado para se tornar um colónia onde o ser humano pode habitar. O espaço é cheio de materiais e energia e, segundo Khoshnevis, temos apenas que conseguir projetar fábricas e máquinas precisas que consigam construir com esses mesmos materiais. “Dentro de pouco tempo, a nossa capacidade de fabricar no espaço vai ser idêntica à que conseguimos na Terra”, afirmou.

Existindo tantos projetos que visam tornar Marte habitável, a grande questão continua a ser se o ser humano vai, ou não, ser capaz de se habituar a lá viver. Para Khoshnevis, pode ser uma iniciativa difícil, porém, o ser humano é capaz de se habituar facilmente a outras realidades.

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