O ateliê de Ópera da Metropolitana apresenta uma das últimas óperas de Mozart, “La clemenza di Tito”, na sexta-feira, em Lisboa, no Teatro Thalia, sob a direção do maestro Pedro Amaral. Esta é a quarta edição do ateliê de ópera, um projeto da Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML), dirigido a “jovens cantores em início de carreira”, que lhes dá “a possibilidade de se apresentarem à frente de uma orquestra profissional”, explicou à agência Lusa fonte da Associação Música, Educação e Cultura (AMEC), que tutela a OML.

Desta vez, o projeto envolve uma ópera composta nos últimos meses de vida de Mozart e os cantores vão “interpretar os seis papéis de um libreto que se desenrola em torno da figura do imperador romano Tito (39-81), numa trama palaciana que culmina com a sua glorificação”. Esta versão conta com o coro de câmara Lisboa Cantat, com a OML e fez a sua primeira apresentação na atual temporada no dia 29 de janeiro, no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com o tenor Carlos Guilherme, de 71 anos, como cantor convidado, no papel principal, de Tito Vespasiano, com que regressa a esta apresentação.

O elenco da récita da próxima sexta-feira é constituído ainda por Alexandra Bernardo (Vitellia), Teresa Sales Rebordão (Sesto), Maria Fontes (Annio), Mariana Castello-Branco (Servilia) e Christian Luján (Publio). “La clemenza di Tito” regressará ao Thalia, às Laranjeiras, no domingo à tarde, com outro elenco, mantendo-se o tenor Carlos Guilherme no papel principal, interpretando desta feita Margarida Silva Mendes (Vitellia), Diana Santos (Sesto), Alexandra Calado (Annio), Patrícia Santos Modesto (Servilia) e João Vieira Jorge (Publio).

“O enredo operático não esconde a alegoria que pretendia retratar as virtudes do imperador do Sacro Império Romano Germânico, Leopoldo II, já que a encomenda se destinava à sua coroação, também como rei da Boémia, e Mozart comprometeu-se com um prazo de entrega absurdo, pouco mais de um mês, numa altura em que tinha em mãos uma outra ópera, ‘A flauta mágica’, e o misterioso Requiem”, referiu a mesma fonte.

“Algumas páginas da partitura foram completadas na carruagem que conduziu Mozart de Viena para Praga, onde teria somente nove dias de ensaios antes da cerimónia de coroação, realizada a 06 de setembro de 1791”. “La clemenza di Tito” foi composta no verão desse ano, quase em simultâneo com “A flauta mágica”, que é identificada como a última ópera do compositor. “A flauta mágica” estreou-se em Viena, a 30 de setembro de 1791; “”La clemenza”, em Praga, a 06 de setembro.

Mozart morreu em Viena a 05 de dezembro de 1791. Esta versão de “La clemenza di Tito” tem direção cénica e vocal do tenor Jorge Vaz de Carvalho, e figurinos, de José António Tenente. A direção musical é de Pedro Amaral, diretor artístico e pedagógico da AMEC. A ópera será ainda apresentada em março em Setúbal, no Fórum Luísa Todi, no dia 03 e, no dia 05, em Almada, no Municipal Joaquim Benite.