Numa altura em que a possível aquisição da alemã Opel, por parte do grupo francês PSA (Peugeot, Citroën e DS) surge na maioria das conversas sobre o sector automóvel, Carlos Tavares, o engenheiro português que lidera o conglomerado francês, já fez saber o que pensa sobre essa hipótese. Questionado quanto a um negócio que, a suceder, reforçaria ainda mais a posição actualmente detida pela PSA, como segundo maior grupo automóvel europeu, logo atrás da Volkswagen, Tavares preferiu não se alongar em comentários, afirmando apenas que “seria algo agradável, caso viesse a acontecer, mas não é obrigatório que aconteça”.

Segundo avança a Autocar, onde estas declarações surgem publicadas, não existe qualquer prazo para a consumação do negócio. Embora a maioria dos analistas aponte meados de Março como a data em que, a acontecer, o negócio poderá ficar finalizado.

Novo veículo 100% eléctrico em 2019

Carlos Tavares comentou ainda os recentes resultados financeiros do grupo, que apontam para uma subida de 18% nos lucros, numa confirmação da recuperação iniciada com a entrada do engenheiro português para a liderança da companhia.

“Estes resultados demonstram a nossa capacidade para conseguir, de forma consistente, uma excelente performance, num ambiente adverso”, sublinhou, num comunicado, o CEO da PSA, acrescentando que “o grupo está a construir todas as condições para um crescimento lucrativo e sustentável”.

Tavares prometeu ainda uma “forte ofensiva no domínio do carro eléctrico”, a qual conduzirá a que, em 2023, 80% dos automóveis vendidos pela PSA sejam movidos a electricidade. Garantindo igualmente que o primeiro veículo 100% eléctrico – à partida desenvolvido dentro de casa, mas que também poderá contar com tecnologia General Motors, nomeadamente proveniente do Chevrolet Bolt – chegará ao mercado já em 2019.

6,8 mil milhões para “investimentos rentáveis”

A PSA conseguiu, em 2016, lucros operacionais de 3,24 mil milhões de euros, contra os 2,73 mil milhões de euros obtidos em 2015. Isto apesar de perdas orçadas em 280 milhões de euros, resultantes da desvalorização da moeda na sequência do anúncio do Brexit.

Os lucros da operação automóvel subiram de 5 para 6%, valor muito próximo dos 6,5% anunciados pelo Grupo Volkswagen.

O director financeiro da PSA, Jean-Baptiste de Chatillon, fez entretanto saber que o grupo tem neste momento 6,8 mil milhões de euros disponíveis para levar a cabo “investimentos rentáveis, no interesse dos investidores”. Como poderá ser o caso da fusão com a Opel, ou até mesmo a compra da marca. No entanto, o mesmo responsável também reconhece que, “nesta altura, ainda não existem certezas quanto ao sucesso dessas conversações”.