O músico português Agir prepara para este ano um novo álbum, que terá mais convidados, além da fadista Ana Moura, será “mais orgânico” e uma continuação de “Leva-me a sério”, como revelou à agência Lusa.

“Embora continue a ser um álbum com coisas eletrónicas, estou mais para aí virado, para coisas mais orgânicas. Vai ter muitas participações, não só de cantores. Vai haver mais gente envolvida do que nesse [‘Leva-me a sério’] que era muito ‘eu'”, disse o músico.

Agir, nome artístico de Bernardo Carvalho Costa, tem 28 anos, é músico há mais de 10, mas ganhou maior visibilidade depois de ter editado, em 2015, o álbum “Leva-me a sério”, que inclui os temas “Tempo é dinheiro”, “Como ela é bela” e “Parte-me o pescoço”. O artista goza de popularidade junto de um público mais novo, entre a infância e adolescência, que o acompanha não só nos concertos, mas em particular através da Internet, nas redes sociais e no Youtube. Atualmente a gerir a carreira e a empresa de agenciamento WAM – We Are Music, da qual é sócio, Agir conta com uma equipa de produção com mais de 10 pessoas, quase o dobro do que tinha antes.

“Sendo uma profissão, não nos podemos enganar: O mais importante é que nós gostemos, mas não fazemos música para que ninguém goste. Toda a gente gosta de saber que o álbum vendeu bem, que as pessoas querem ir aos concertos e que as salas estão cheias. Sabe bem, mais não seja para alimentar o ego depois do trabalho todo que dá”, afirmou. Ao preparar o terceiro álbum, Agir reconhece que tem mais maturidade, pela soma de experiências dos últimos anos, mas as canções novas não serão uma rutura com o passado: “Os temas acabam por ser sempre muito idênticos ao anterior (…) É muito fácil, não sei porquê, falar de amor e vai continuar assim, confesso”.

Ainda sem data de edição – deverá ser depois do verão – o novo álbum já estaria pronto se fosse para sair já, embora Agir tenha um lote de 30 canções, das quais só deverá sobreviver metade para o alinhamento final. Certo é a inclusão da já divulgada “Manto de água”, uma balada com a participação de Ana Moura.

O músico assume todas as fases do processo, composição, produção, gravação, num estúdio em casa. “Normalmente costumo sempre começar pelo instrumental; fazer uma volta de acordes que me seja minimamente viciante e a partir daí vem a melodia. Eu escrevo para as melodias que estão a vir”, explicou. Sobre a fase atual da carreira, Agir diz que agora já sabe quem é a nível artístico: “Finalmente descobri bem, pelo menos para mim, o que é que eu sou musicalmente falando, assumo-me perfeitamente como um cantor pop”.

“Ninguém com 12 ou 13 anos tem logo super-noção do estilo. Eu estava a crescer como pessoa, naturalmente estava a crescer como artista. E foi com 26 que realmente disse que isto é o que sou. (…) Gosto de fazer muita coisa. Aprendi a fazer música para os outros, adoro compor fado, mas não sou artista de fado nem vou fazer fado, dou aos meus colegas de profissão que fazem melhor do que eu, mas não me vou privar só por eu não sou fadista”, justificou.

Enquanto prepara o novo álbum, Agir está também a ultimar o novo disco que produziu para o pai, o músico Paulo de Carvalho, um álbum de duetos a editar na primavera. “Foi feito um álbum novo que vai ser importante para a carreira dele, que envolve as músicas todas dele, mais conhecidas, com uns apontamentos diferentes e deu bastante gozo. É giro ir para o estúdio com o pai e estar a fazer coisas em conjunto”, disse.