O PCP começa em março uma campanha pela “libertação de Portugal da moeda única” europeia que se vai estender até ao final de junho, incluindo iniciativas legislativas no parlamento e também intervenções em Bruxelas.

O dirigente comunista Vasco Cardoso resumiu à agência Lusa o lema do conjunto de ações – “Produção, Emprego, Soberania – libertar Portugal da submissão ao euro” -, que incluem um ciclo de debates por todo o país, numerosas ações de contacto com populações e distribuição de panfletos, colocação de centenas de cartazes nas ruas e a edição do livro “Euro, Dívida, Banca – romper com os constrangimentos, desenvolver o país”.

“Recusamos essa impossibilidade de o país poder decidir sobre o seu próprio destino e as ameaças e chantagens permanentes. Agora, mesmo com o défice orçamental primário positivo e abaixo dos limites impostos, ainda assim a dívida pública continua classificada como ‘lixo'”, prosseguem os recados do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia, ou seja, independentemente dos resultados, os mercados e os especuladores estão interessados numa política que promova a rapina dos recursos do país e Portugal segue dependente do exterior”, criticou.

O membro da comissão política do Comité Central do PCP considera cada vez mais visíveis para todos as “necessidades que impelem Portugal a desamarrar-se dos constrangimentos”, pois a “moeda única favorece as grandes potências e as empresas transnacionais”, um “autêntico desastre” para o país, um dos que “menos cresceu no mundo desde que aderiu ao euro”.

“Partindo da identificação da realidade e dos problemas nacionais e da forma de lhes responder, nomeadamente a grave dependência externa em setores estratégicos – como nos planos alimentar e energético -, pretendemos um grande debate no sentido de promover a produção interna e medidas possam ser postas em prática”, afirmou Vasco Cardoso.

Para o dirigente comunista, “Portugal precisa de remover os constrangimentos que impedem o desenvolvimento e o crescimento económico e articular isso com a renegociação da divida e a recuperação do controlo publico da banca”, além da preparação para o abandono do euro, de forma negociada e faseada, se possível em conjunto com países na mesma situação.

Precisamente nesse sentido, o grupo parlamentar do PCP no Parlamento Europeu vai também participar na campanha, promovendo a futura realização de uma conferência intergovernamental sobre a moeda única, ao nível continental.