O governo de Theresa May não quer que a Escócia exija novo referendo à pertença ao Reino Unido mas é precisamente isso, noticia o The Times, que Theresa May está à espera que aconteça assim que Londres iniciar o processo formal de saída da União Europeia, já no próximo mês de março. Segundo o jornal britânico, que cita fontes do governo de May, existe uma “grande preocupação” de os escoceses sejam novamente chamados às urnas — o receio de May é que, se houver referendo, o desmembramento do Reino Unido possa estar dependente de um “atirar de moeda ao ar”. May aceita um referendo, mas só depois de consumada a saída da UE.

A confirmar-se, será o segundo referendo escocês ao Reino Unido em menos de três anos. Pelo meio, como se sabe, houve o referendo britânico à União Europeia, onde venceu o Leave (sair), apesar de na Escócia a votação ter sido contrária. Em janeiro, o Supremo Tribunal britânico deliberou que, ainda que May tenha tido de se submeter ao parlamento britânico para avançar com o Brexit, os parlamentos da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte não teriam de ser consultados.

Entretanto, um porta-voz de Theresa May disse que a primeira-ministra não concordava que a Escócia exigisse um novo referendo. “Já houve um. Foi claro, decisivo, legal e ambos os lados acordaram aceitar os resultados”, disse a porta-voz a 8 de fevereiro, referindo-se à votação de 2014 em que 55% votaram a favor da manutenção da Escócia no Reino Unido.

Mas segundo as fontes governamentais citadas pelo The Times, esta segunda-feira, o gabinete de May já está a preparar-se para a eventualidade de Nicola Sturgeon, a primeira-ministra escocesa, pedir um novo referendo, que poderia realizar-se no verão de 2018 — a meio das negociações britânicas com os parceiros europeus.

Segundo o jornal, May estará preparada para aceitar o referendo, mas apenas se este se realizar após a saída formal da União Europeia, ou seja, depois de 2019.

A notícia do The Times está a pressionar a cotação da libra esterlina nas bolsas, esta manhã, descendo 0,6% face ao dólar.

Segundo uma sondagem do instituto BMG realizada junto de 1.067 eleitores escoceses, o apoio à independência da Escócia, excluindo os indecisos, aumentou três pontos percentuais desde dezembro, com 49% de apoio, embora 51% continuem a dizer-se contrários.

Para 56% dos inquiridos, contudo, um referendo só deve realizar-se após a conclusão das negociações do Brexit, o que não deve ocorrer antes de meados de 2019.

Desde o referendo de 23 de junho em que foi aprovada a saída do Reino Unido da União Europeia que a primeira-ministra escocesa refere a eventualidade de um segundo referendo sobre a independência.