O samba marcou esta terça-feira o ritmo do Carnaval da Mealhada, conhecido por ser o desfile mais luso-brasileiro do país, e nem a ameaça de chuva afastou os foliões que ocorreram ao coração da cidade bairradina.

Após 16 anos a realizar-se num sambódromo, os desfiles carnavalescos deste ano regressaram ao centro da cidade, numa aposta acertada da organização que o público auscultado pela agência Lusa aprovou.

“Foi uma aposta ganha e um grande sucesso. Muita gente, muita animação, muita folia e diversão, com as pessoas muito satisfeitas”, disse aos jornalistas Alexandre Oliveira, presidente da Associação Carnaval da Bairrada, adiantando que o desfile de domingo registou uma assistência de 12 mil pessoas.

O responsável da organização salientou que “as coisas não estavam a resultar e era preciso uma mudança e nós avançámos para este projeto, que decorreu de forma fantástica”.

Ana Ramalho, da Covilhã, que há vários anos assiste ao cortejo, aprova a mudança, considerando que o regresso dos desfiles ao centro da cidade é mais “acolhedor e cosmopolita”.

Também Fábio Henriques, de Coimbra, presença habitual na Mealhada, considera que o Carnaval bairradino “está melhor de ano para ano”.

“Os grupos estão melhor em termos de coreografia, a organização também, e o regresso às ruas do centro da cidade é um benefício muito grande”, sublinhou à agência Lusa.

Para Mariana Saraiva, de Condeixa-a-Nova, que assistiu pela primeira vez, as escolas de samba fazem “um trabalho espetacular, num desfile muito engraçado e com um espírito muito animado”.

Segundo o presidente da Associação Carnaval da Bairrada, está a ser feito um esforço “com critério” para tentar “procurar o melhor que havia para voltar a fazer da Mealhada o grande carnaval do país, como já foi”.

“A nossa aposta é tentar, pouco a pouco, a fazer novamente dele o grande carnaval do país”, sublinhou.

Durante quase duas horas e meia, num trajeto com cerca de um quilómetro e meio, quatro escolas de samba animaram os mais de sete mil espetadores que assistiram ao desfile, que teve como reis o ator brasileiro Bruno Cabrerizo e a apresentadora portuguesa de televisão Diana Taveira.

A chuva fez várias ameaças e só chegou quase no final do desfile, quando o carro alegórico que transportava os reis chegou à Praça do Município, mas sem afastar o público presente, que já ia munido de guarda-chuva.

O humorista e cantor português Herman José também foi uma das figuras do desfile, numa homenagem da escola de samba “Batuque”, que o considera o “pai do humor” contemporâneo em Portugal.