O excesso de peso pode aumentar o risco de 11 tipos de cancro segundo um estudo levado a cabo por uma equipa de investigadores internacionais, conta o The Guardian. De acordo com a recente pesquisa, publicada no British Medical Journal, a possibilidade de pessoas com peso a mais poderem vir a contrair cancro do cólon, do reto, do colo do útero, da mama, dos ovários, dos rins, do pâncreas, do estômago, da vesícula biliar e outros tipos de cancro do esófago e da medula óssea é superior à daquelas que estão dentro dos parâmetros do peso considerado normal para a sua altura.

Acho que agora as pessoas e os especialistas devem prestar mais atenção à ligação da obesidade com o cancro. Dizer-lhes para ter em atenção o excesso de peso não só reduz o risco de, por exemplo, diabetes e doenças cardiovasculares, como o risco de contrair diferentes tipos de cancro”, admitiu Marc Gunter, um dos responsáveis pelo estudo da International Agency for Research on Cancer (Agência Internacional de Pesquisa para o Cancro).

A investigação examinou em profundidade cerca de 200 estudos já realizados anteriormente, que comprovavam a existência de uma ligação entre a gordura corporal e o desenvolvimento de células cancerígenas. A análise revelou que à medida que o Índice de Massa Corporal (IMC) aumenta, o risco de desenvolver determinados tipos de cancro torna-se também mais elevado. Por cada cinco quilos a mais daquilo que é estipulado para os homens, consoante a sua altura, o risco de poder vir a ter cancro do cólon e do reto aumenta 9%. Já nas mulheres, a probabilidade de poder vir a ter cancro da mama depois de estarem na menopausa sobe 11%. Mas os números tornam-se mais assustadores no que diz respeito ao cancro da vesícula biliar, que tem um risco de aumentar até 56% por cada pessoa que tenha cinco quilos a mais do que o considerado saudável e normal.

Apesar dos resultados obtidos terem demonstrado que existe realmente uma relação visível entre o excesso de peso e as doenças oncológicas, ainda não existe certezas que explicam o porquê de isso acontecer. Gunter propõe várias explicações e teorias. “Sabemos que o peso a mais provoca uma interrupção nas vias de regulação hormonais e metabólicas”, disse o investigador, salientando ainda que o excesso de gordura está associado também a níveis de estrogénio e de insulina mais altos, que podem vir a afetar a divisão celular (capacidade de uma célula se dividir dando origem a outras células).

Considerado por muitos especialistas uma mais valia para a comunidade científica, a investigação não foi poupada a elogios. Paul Aveyard, professor de Medicina Comportamental da Universidade de Oxford, considerou que os resultados obtidos são fundamentais para alertar as pessoas das consequências que a obesidade pode vir a ter.

É mais uma razão para as pessoas se preocuparem com o excesso de peso. Mas este risco não se limita apenas às pessoas que estão acima do peso, todas aquelas que têm excesso de gordura, que é a maioria de nós, estão já em risco”, revelou Aveyard, em declarações ao The Guardian.

Também Alison Tedstone, nutricionista e responsável pelo departamento de Saúde Pública na Inglaterra, viu o estudo como mais um passo para a consciencialização da população. “Menos de metade da população apercebe-se que a obesidade aumenta o risco de cancro, o que é preocupante”, salientou.