26 de maio de 2013, ainda se recorda? No culminar de uma ponta final de temporada sempre em queda, o Benfica não conseguiu aproveitar a vantagem que tinha a pouco mais de dez minutos da final da Taça de Portugal e perdeu com o V. Guimarães por 2-1 (para avivar a memória, foi o jogo onde Cardozo “cresceu” para Jorge Jesus e não foi pior por mero acaso). Esse foi o título mais importante da história quase centenária do conjunto minhoto. E quem era treinador? Rui Vitória, aquele que poderá voltar ao Jamor este ano mas como adversário, no comando do Benfica.

Após a vitória por 2-0 frente ao Desp. Chaves, a obra (V. Guimarães) deu um passo importante para enfrentar o criador (Rui Vitória) no Jamor. E por mérito também do atual técnico, Pedro Martins, que não teve pejo em perceber os momentos do jogo e “inventar” o segundo golo de Hernâni com a entrada de Tozé, o visionário que leu a cavalgada isolada do avançado para fazer o passe a rasgar em profundidade (76’). No entanto, uma nota: os transmontanos não mereciam um castigo tão pesado.

Ficha de jogo

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V. Guimarães-Desp. Chaves, 2-0

1.ª mão da meia-final da Taça de Portugal

Estádio Dom Afonso Henriques, em Guimarães

Árbitro: Bruno Esteves (AF Setúbal)

V. Guimarães: Miguel Silva; Bruno Gaspar, Josué, Pedro Henrique, Konan; Zungu, Celis; Sturgeon (Raphinha, 64’), Hurtado (Tozé, 75’), Hernâni (João Aurélio, 83’) e Marega

Treinador: Pedro Martins

Suplentes não utilizados: Douglas, Prince, Texeira e Rafael Martins

Desp. Chaves: António Filipe; Pedro Queirós (Batatinha, 82’), Carlos Ponck, Nuno André Coelho, Nélson Lenho; Pedro Tiba, Bressan (Patrão, 83’), Braga; Perdigão (Davidson, 61’), Fábio Martins e Rafael Lopes

Treinador: Ricardo Soares

Suplentes não utilizados: Ricardo, Massaia, Rodrigo e Fall, Davidson

Golos: Hernâni (10’ e 76’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Celis (30’), Marega (34’), Sturgeon (45’), Zungu (67’), Miguel Silva (90’), Tozé (90+3’) e Ponck (90+3’)

Os visitados começaram melhor, mais fortes, mais pressionantes. A estratégia gizada por Ricardo Soares nos encontros fora também essa, recuando um pouco as linhas em busca dos espaços para sair em ataques rápidos. No entanto, ninguém imaginaria que o mágico Hernâni sacasse um pontapé de bicicleta no meio de uma confusão na área para inaugurar o marcador logo aos dez minutos.

Mais ou menos a meio da primeira parte, Sturgeon ainda teve uma boa oportunidade ao segundo poste para aumentar a vantagem, mas a verdade é que, até ao intervalo, o V. Guimarães só goleou nos cartões (3-0): em tudo o resto, os flavienses foram sendo superiores, criaram mais oportunidades (Fábio Martins e Perdigão) mas nunca foram eficazes. Tudo correu mal, até a rábula dos penáltis – já depois de um lance duvidoso na área entre Fábio Martins e Josué, Bruno Esteves assinalou uma grande penalidade por mão de Pedro Henrique, voltou atrás e acabou por dar a bola aos visitados (e ainda bem que voltou atrás, porque seria um penalty mal marcado).

No segundo tempo, a qualidade do encontro caiu, houve algumas entradas duras sem necessidade mas, a certa altura, o Desp. Chaves conseguiu partir o jogo por questões estratégicas e sair mais vezes em ataques rápidos. Braga teve a melhor oportunidade para o empate, até que Pedro Martins ganhou o jackpot: lançou Tozé para ter uma maior segurança na gestão do 1-0 mas passado apenas um minuto já estava a ver a vantagem alargada, com um passe primoroso do médio acabado de entrar para a velocidade de Hernâni que, aproveitando também uma escorregadela do guardião António Filipe, fez um chapéu sem hipóteses para o 2-0.

8

golos de Hernâni na presente temporada em 23 jogos: quatro para a Primeira Liga, três na Taça de Portugal e um na Taça da Liga. Assim, o extremo igualou a marca do ano passado ao serviço do Olympiakos (Grécia), em 26 partidas

Faltavam ainda quase 15 minutos mais descontos para, no mínimo, o Desp. Chaves reduzir. Todavia, por mérito de Miguel Silva (grande defesa com Rafael Lopes isolado) ou demérito dos transmontanos (Nuno André Coelho e Braga não conseguiram dar a melhor direção na hora do remate), o resultado não mais voltaria a mexer.

Assim, o V. Guimarães consegue uma vantagem promissora para a segunda mão, em Chaves, tal como o Benfica já tinha conseguido após vencer por 2-1 no Estoril. O reencontro do Vitória com Vitória está mais perto. À distância de 90 minutos.