A coleção de arte moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, tem, a partir desta quinta-feira, uma mostra permanente com cerca de 400 peças desde 1900 à atualidade, no quadro do novo modelo de programação da diretora. Num encontro com jornalistas, na sede da fundação, a diretora, Penelope Curtis, sublinhou a importância da apresentação de uma larga mostra da coleção de arte moderna da Gulbenkian “para os visitantes e para os estudantes”, num percurso que abarca desde desenho e documentos a pintura e escultura. “A estrutura desta exposição passa a ser permanente para ser equivalente à apresentação da Coleção do Fundador, Calouste Gulbenkian, em estabilidade e regularidade”, explicou Penelope Curtis.

A apresentação da Coleção Moderna “terá um caráter dinâmico, com renovações frequentes, de modo a possibilitar novas leituras”, segundo a diretora. As alterações serão feitas a cada seis, nove e 12 meses, acrescentou, sobre esta mostra permanente da Coleção Moderna, sob a designação de “Portugal em Flagrante”, que inaugura esta quinta-feira a sua terceira parte, dedicada à escultura, que inclui aquisições recentes, nomeadamente de obras dos artistas Miguel Palma e Lucia Nogueira.

Penelope Curtis, anteriormente diretora da Tate Britain, em Londres, foi convidada a assumir a direção do Museu Gulbenkian no final de 2015, no âmbito de uma reestruturação dos museus da fundação. No quadro dessa reestruturação, foi extinta a designação da separação entre o Centro de Arte Moderna (CAM), e o Museu Gulbenkian, com a coleção de arte antiga, passando a designar-se Museu Gulbenkian, com duas coleções, a Coleção Moderna e a Coleção do Fundador. O objetivo desta mudança, foi, segundo a responsável, “apresentar exposições permanentes das duas coleções e promover um maior diálogo entre o acervo de ambas – mantendo a sua identidade – e com outras exposições temporárias”.

Por seu turno, na Coleção do Fundador – que abarca 2.000 anos de história da arte – foi renovada a apresentação das obras nas salas do século XVIII e XIX.

Relativamente ao programa anual de exposições temporárias, foi introduzido o ciclo Conversas, composto por três exposições anuais a realizar na Galeria da Coleção do Fundador, e o Espaço Projeto, no âmbito do qual serão apresentadas quatro mostras na sala de exposições temporárias do edifício da Coleção Moderna (antigo CAM).

O ciclo Conversas abre, esta quinta-feira, com a inauguração da exposição de fotografia “Manuela Marques em Versailles – A face escondida do sol”, que estabelece um diálogo com peças do século XVIII da Coleção do Fundador. Quanto ao Espaço Projeto, abre com a mostra “Alegria e Sobrevivência”, do artista húngaro Támas Kaszás.

De acordo com Penelope Curtis, este será um espaço dedicado a projetos de artistas nacionais e estrangeiros, para “permitir uma maior comunicação entre o público e o meio artístico”. Outra novidade será a realização de duas exposições dirigidas ao grande público, uma de inverno e outra de verão, esta última de entrada livre, e tendo como base as coleções do museu.