O Banco de Moçambique (BM) afastou esta quinta-feira motivos de alarme em relação à estabilidade do Moza Banco, confirmando que a recapitalização da instituição bancária decorre normalmente.

De acordo com uma nota enviada à Lusa, esta quinta-feira, o banco central moçambicano garante que “o processo de recapitalização do Moza Banco está a decorrer segundo o cronograma aprovado em Assembleia-Geral, estando a instituição a funcionar regularmente”.

A garantia do banco central surge na sequência de alegadas informações difamatórias difundidas nas redes sociais sobre a sua situação do Moza Banco.

“O BM não vê qualquer sinal de alarme em relação à estabilidade presente e futura do Moza Banco”, declara o comunicado, apelando aos clientes para manterem, com tranquilidade, o seu relacionamento com a instituição.

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A comunicação do banco central surge um dia depois de o Moza Banco ter afirmado também que a sua recapitalização tem evoluído dentro das expetativas, assegurando que a instituição está a funcionar normalmente.

De acordo com o comunicado do Moza Banco, intervencionado no ano passado, a instituição conseguiu recuperar os índices de confiança no mercado e com o público em geral.

“O resgate desta credibilidade institucional prende-se, pois, e em muito, com o empenhamento que o Banco de Moçambique conferiu à condução deste processo, por via da intervenção operada no passado dia 30 de setembro do ano transato”, refere o comunicado enviado, na quarta-feira, à Lusa.

“Queremos assegurar a todos os ‘stakeholders’ do Moza Banco, sejam eles clientes, fornecedores, colaboradores ou outros parceiros, a nossa forte convicção de que esta instituição irá continuar o seu percurso de forma sólida e devidamente equilibrada a desempenhar a sua missão no sistema financeiro e na economia nacional”, diz ainda o comunicado, assinado pelo presidente do Moza Banco, João Figueiredo.

Em finais de janeiro, a Assembleia Geral de Acionistas do Moza Banco, participado pelo português Novo Banco e intervencionado em setembro pelo regulador, aprovou um aumento de capital de 8,17 mil milhões de meticais (107,7 milhões de euros), depois de em dezembro o Banco de Moçambique ter injetado cerca de 8 mil milhões de meticais (105 milhões de euros) na instituição, para travar o colapso e evitar “um terramoto” no sistema financeiro moçambicano.

Dois meses após a intervenção no Moza, o supervisor bancário liquidou o Nosso Banco, detido pelo Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), e acionou o fundo de garantia de depósitos, que prevê um reembolso de apenas 20 mil meticais (240 euros) para os depositantes singulares, excluindo as empresas.

Apesar de ser uma entidade de fraca expressão, a falência do Nosso Banco lançou uma vaga de alarme, levando o banco central a afastar “motivos para pânico” e a assegurar que o sistema financeiro está sólido, com uma média de rácios de solvabilidade de 14%, muito acima dos 8% exigidos pelo órgão supervisor.

Ao contrário do Nosso Banco, que mantinha apenas pouco mais de cinco mil depositantes particulares e 900 empresas e uma quota de ativos de 1% do sistema bancário, o Moza possui mais de 93 mil clientes particulares e oito mil empresas e uma quota de 7,71%, sendo o quarto maior banco moçambicano, com 48 agências em praticamente todo o país.