O líder da bancada parlamentar do PS defende uma redução de impostos e acredita que “era importante, quando houvesse oportunidade, proceder a uma despenalização”. Carlos César assume ainda que o reescalonamento dos escalões do IRS – que os partidos de esquerda reclamam – já está a ser discutido, mas só com enquadramento orçamental e associando o défice, o crescimento e o investimento. “Já falámos sobre isso”, afirmou em entrevista à Antena1, mas ainda não é a altura, reforçou.

Estas são duas das ideias-chave que o presidente do PS e conselheiro de Estado defende numa conversa com Maria Flor Pedroso, na qual manifestou ainda a sua opinião sobre alianças políticas, as recentes polémicas com offshores e a CGD e até sobre o Presidente da República.

Sem comentar se o atual Governo é melhor por ter o apoio de PCP e BE no parlamento, até por causa do posicionamento europeu, o socialista recorda as divergências que se refletem em questões como a “temporalidade” das questões laborais. E contesta uma eventual coligação com os comunistas, no que é uma posição contrária à que defendeu esta semana o ministro Eduardo Cabrita, no jornal Expresso. “Não creio aliás que a questão tenha atualidade”, defendeu Carlos César.

Sobre a segunda Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Caixa Geral de Depósitos (CGD), o líder da bancada socialista assume que o comportamento do PS será o mesmo que na primeira: “Vamos manter a posição que tivemos até agora”. E recorda os acórdãos que atestam a inconstitucionalidade da divulgação de SMS. Já para o caso das offshores, acredita que não é necessária uma CPI: “deve ser uma figura de exceção, de uma gravidade extrema” e, por isso, são necessárias outras audições, aliás já pedidas.

Carlos César reconhece ainda que o Presidente da República “tem tido uma intervenção muito produtiva até no reconhecimento dos sucessos que o Governo tem tido”, apesar da discordância de alguns elementos socialistas com as suas posições. E, a rematar a entrevista, o presidente do PS rejeita a ideia de um referendo sobre a eutanásia (pedido por PSD e CDS), tema que será discutido pelo partido no fim-de-semana no Porto.