Depois do Médio Oriente e da Europa, o Estado Islâmico vira-se agora para a China. Num vídeo divulgado esta semana, o grupo extremista ameaça fazer “correr rios de sangue” na China e avisa que pretende ocupar o território do país, escreve a agência Reuters.

O vídeo mostra combatentes Uighur — um grupo étnico muçulmano da região chinesa de Xinjiang –, recrutados pelo Estado Islâmico, a treinar num campo do grupo extremista no Iraque.

Segundo a Reuters, a China está preocupada com a possibilidade de haver mais elementos do grupo Uighur a radicalizarem-se e a deslocarem-se para a Síria e para o Iraque.

Além de imagens dos treinos, o vídeo, de cerca de meia-hora, mostra imagens do interior de Xinjiang, incluindo alguns agentes da polícia chinesa, e uma imagem do presidente chinês, Xi Jinping, em chamas.

De acordo com uma tradução feita para a Reuters, a acompanhar as imagens, um dos combatentes grita: “Olá, irmãos. Hoje, lutamos contra os infiéis em todo o mundo. Digo-vos isto: venham e vivam aqui. Permaneçam firmes“.

Um outro combatente critica os “lacaios infiéis comunistas chineses”, e afirma que “em retaliação pelas lágrimas que correm dos oprimidos, faremos correr o vosso sangue em rios, pela vontade de Deus”.

Os Uighur foram responsáveis, nos últimos anos, pela morte de centenas de pessoas na China.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, através do porta-voz, Geng Shuang, já afirmou desconhecer a existência do vídeo, mas sublinhou que a China se opõe “a qualquer forma de terrorismo e participa pro-ativamente na cooperação internacional contra o terrorismo”.