O preço para comprar uma nota de dólar norte-americano nas ruas de Luanda voltou a descer na última semana, renovando mínimos do ano, e só desde 1 de janeiro já acumula uma quebra de 22 por cento. Depois de rondar os 400 kwanzas (2,28 euros) por cada dólar, na semana anterior, a cotação no mercado de rua, conforme a Lusa constatou esta quinta-feira, voltou a descer, agora para cerca de 390 kwanzas (2,22 euros).

Trata-se de uma nova quebra na cotação média do mercado informal, no espaço de uma semana, segundo as rondas habituais realizadas pela Lusa e numa altura em que persistem limitações no acesso a divisas nos bancos, mesmo nas contas em moeda estrangeira. Este novo mínimo contrasta com o pico de 500 kwanzas (2,85 euros) por cada dólar dos primeiros dias de janeiro.

Na ronda feita esta quinta-feira pela Lusa, as ‘kinguilas’ de Luanda, como são conhecidas as mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas, atividade ilegal, continuam a justificar a quebra com a falta de kwanzas suficientes para realizar as trocas, o que acaba por valorizar a moeda nacional. Face à falta de dólares nos bancos, estas taxas de rua já estiveram próximas dos 600 kwanzas por cada dólar em agosto e julho, depois de máximos de 630 kwanzas em junho.

Entretanto, a nova legislação do BNA impede desde fevereiro o levantamento de moeda estrangeira nas contas em bancos nacionais a não residentes cambiais, o que pode constituir um novo foco de pressão na cotação do mercado de rua. O Banco Nacional de Angola (BNA) garantiu em dezembro que não prevê qualquer nova desvalorização do kwanza, face à “tendência de estabilidade” dos preços, e já no final de janeiro vendeu aos bancos o valor máximo de divisas desde praticamente o início da crise, em 2014: mais de 600 milhões de euros no espaço de uma semana.

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Essas vendas de divisas têm vindo no entanto a descer progressivamente, para menos de 200 milhões de euros por semana já em fevereiro. “Tendo em conta a tendência de estabilidade do nível geral dos preços e consequentemente a desaceleração da taxa de inflação mensal, o BNA reafirma o seu engajamento na preservação do valor da moeda nacional, razão pela qual não haverá desvalorização do kwanza”, lê-se no mesmo documento do banco central angolano, de dezembro.

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise financeira e económica decorrente da quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, tendo desvalorizado o kwanza, face ao dólar, em 23,4% em 2015 e mais 18,4% ainda no primeiro semestre de 2016. A taxa de câmbio oficial cifra-se atualmente em cerca de 166 kwanzas (95 cêntimos de euro) por cada dólar, quando antes do início da crise das receitas do petróleo, ainda em 2014, era de 100 kwanzas.