Lançamentos

Tome nota: estas são as novidades literárias de março

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Novo volume da Bíblia de Frederico Lourenço, livros de e sobre Almada Negreiros, nova tradução do "Épico de Gilgamesh" e "O Arquipélago Gulag". As novidades são tantas que o difícil vai ser escolher.

Ficção

Logo no dia 1 de março, a Objetiva lançou A Mãe Eterna, de Betty Milan. O livro vai ser apresentado por Teolinda Gersão e pela psicóloga Maria Belo no Sky Bar do Hotel Tivoli, em Lisboa, a 28 de abril. A sessão terá ainda leituras de Paula Guedes. A Alfaguara irá publicar um romance de Charles Bukowski inédito em Portugal: Factotum. A obra, que chega às livrarias a 8 de março, conta a história de Henry Chinaski, um jovem marginal, solitário e irremediavelmente bêbedo, que vagueia pela América dos tempos da Segunda Guerra saltando de cidade em cidade.

A Tinta-da-China vai editar (em edição de bolso) Mulheres Viajantes, a história de 18 mulheres que desafiaram as convenções e se aventuraram pelo mundo, contada por Sónia Serrano. Também em março, a editora vai estrear uma nova coleção, a Coleção Antiprincesas, uma parceria com a EGEAC no âmbito do programa Lisboa Por Dentro. Este mês, saem quatro livros — pequenas biografias, “para meninas e meninos”, de Clarice Lispector, Frida Kahlo, Juana Azurdy e Violeta Parra, “mulheres reais”. Os textos são de Nadia Fink e os desenhos do ilustrador Pitu Saá.

Os primeiros quatro livros da Coleção Antiprincesas chegam às livrarias a 3 de março

A editora vai ainda editar em março Tardio, um livro de poesia de Rosa Oliveira. Já a Coleção RTP vai ganhar um novo volume: As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, que reúne o relato que Marco Polo fez das suas viagens ao imperador dos tártaros, Kublai Kan. O prefácio é de Nuno Júdice.

Ao projetar a sua própria voz nos relatos de cidades que pontuam o diálogo entre Marco Polo e Kublai Kan, Calvino reencontra essa capacidade dos antigos construtores de fábulas, e sabe transmitir o prazer que aquele que conta tem de suscitar no ouvinte, que é o próprio leitor”, refere Nuno Júdice no prefácio.

Sr. Mercedes, de Stephen King, vai sair pela Bertrand. O romance conta a história de três heróis improváveis que, numa corrida contra o tempo, tentam impedir que um assassino mate milhares de pessoas. A editora Quetzal vai lançar O Espírito da Ficção Científica, de Roberto Bolaño, livro escrito nos anos 80 e que permaneceu inédito até aos dias de hoje, e A Sétima Função da Linguagem, um romance de Laurent Binet que parte da morte de Roland Barthes, atropelado pela carrinha de uma lavandaria no dia 25 de fevereiro de 1980.

A Ítaca vai publicar — pela primeira vez em Portugal — as novelas e também os esboços de Ao largo da vida, de Rainer Maria Rilke, lançado originalmente em 1898, um ano depois de ter conhecido a escritora e psicanalista russa Lou Andreas-Salomé. Neste primeiro livro de contos de Rilke, “o trágico esconde-se atrás do circunstancial e a ironia alterna com a melancolia na revelação de uma experiência poética da realidade”, refere a editora.

Pela Guerra & Paz vai sair El-Rei Junot, de Raul Brandão, e Sombras e Falésias, do poeta romeno Dinu Flămând. Ao Observador, Manuel Fonseca, editor da Guerra & Paz, contou no início do ano que a edição foi sugerida por António Lobo Antunes. A tradução foi feita por um romeno residente em Portugal.

A Objetiva vai lançar “A Mãe Eterna”, a Ítaca “Ao Largo da Vida” de Rainer Maria Rilke e a coleção RTP vai ganhar um novo título

Na Relógio d’Água, março será feito de grandes clássicos e de algumas novidades: durante este mês, serão publicadas, as obras Não Digas Que não Temos Nada, de Madeleine Thien, As Artes do Sentido, de George Steiner, Um Deus em Ruínas, de Kate Atkinson, O Que Maisie Sabia, de Henry James, e Relatório Minoritário e Outros Contos, mais um livro de Philip K. Dick, autor que a editora tem vindo a publicar regularmente.

A Suma de Letras vai lançar Desaparecidos, um romance policial da sueca Caroline Eriksson. A ASA vai publicar Crime, Disse Ela — Morte em Savannah, um livro de Jessica Fletcher e Donald Bain baseado na série de televisão homónima, criada por Peter S. Fischer, Richard Levinson e William Link.

A Elsinore vai publicar mais um livro da bielorrussa Svetlana Alexievich. Rapazes de Zinco é um relato da Guerra do Afeganistão e do papel que a União Soviética no conflito. Com tradução de Galina Mitrakhovich, o livro, o segundo da Prémio Nobel da Literatura, inclui um prefácio de José Milhazes. A obra será apresentada no Festival Literário da Madeira, que decorrerá entre 14 a 19 de março, pela própria autora. Pela editora sairá ainda Reino do Amanhã, a última obra de J. G. Ballard até agora inédita em Portugal.

Nestas páginas revela-se uma história de brutalidade e mentira, próxima da experiência norte-americana no Vietname, marcada simbolicamente pelos caixões de zinco usados para transportar os mortos para casa, perante uma União Soviética que negava o horror e a destruição causados pela guerra”, refere José Milhazes no prefácio.

A Dom Quixote vai ter um mês em cheio com a publicação de Portugal, de Miguel Torga, Em Queda Livre, de William Golding, O Sistema Periódico, de Primo Levi, O Filho, de Jo Nesbo, e do novo romance de Patrícia Reis, A Construção do Vazio. Para este mês, a editora tem ainda planeado o lançamento do primeiro livro de Antonio Tabucchi, Praça de Itália, nunca antes publicado em Portugal, e de uma edição definitiva e comemorativa dos 50 anos da primeira edição de O Canto e as Armas, de Manuel Alegre.

Este mês há Fernando Pessoa, J.G. Ballard e o famoso livro de combate contra o regime estalinista “O Arquipélago Gulag”, de Aleksandr Sljenítsin

Depois da publicação de O Livro da Selva em 2016, a Livros do Brasil vai agora lançar O Segundo Livro da Selva, de Rudyard Kipling. Mas não. Este mês sairá ainda A Dama do Lago, de Raymond Chandlerl que irá diretamente para a Coleção Vampiro, e A Novela de Xadrez, a última história de Stefan Zweig que será publicada na Miniatura, uma nova coleção que a editora decidiu recuperar este ano e que já conta com outros três títulos, editados em janeiroLouca da Casa, da espanhola Rosa Montero, Soldados de Salamina, do também espanhol Javier Cercas, e A Um Deus Desconhecido, de John Steinbeck.

Já a Assírio & Alvim vai publicar Três Histórias Desenhadas, de José de Almada Negreiros, Novelas Policiais: Uma Antologia, de Fernando Pessoa, um novo volume da Coleção Pessoa Breve, e novo livro de poesia de Luís Quintais, A Noite Imóvel. Mas o lançamento mais importante será, sem dúvida, a nova edição do Épico de Gilgamesh, considerado o mais antigo poema longo. A tradução é de Francisco Luís Parreira, que escreveu também a introdução, aparato crítico e glossário.

No ano em que se comemora o centenário da Revolução de Outubro, a Sextante vai publicar O Arquipélago Gulag, o famoso livro de combate contra o regime estalinista do Prémio Nobel da Literatura russo Aleksandr Soljenítsin que reúne o testemunho de mais de 220 sobreviventes dos campos do campo de trabalhos forçados. A Porto Editora, por seu terno, vai reeditar Meia-noite ou o princípio do mundo, um dos romances mais famosos do escritor Richard Zimler, e Regresso por um rio, o primeiro romance de Francisco José Viegas.

Não-ficção

A Antígona vai publicar o primeiro de uma série de obras do jornalista e romancista uruguaio Eduardo Galeano — As Veias Abertas da América Latina. Publicado pela primeira vez em 1971, este trata-se de um estudo sobre a exploração económica, política e social do continente sul-americano, primeiro pela Europa e, mais tarde, pelos Estados Unidos da América. “Numa escrita eloquente e apaixonada, é uma condenação visceral da infâmia e da ganância no mundo”, refere a editora. Esta é a primeira vez que As Veias Abertas da América Latina é traduzida e publicada na íntegra em Portugal, tendo sido editado anteriormente de forma parcial e bastante incompleta.

Na Dom Quixote, o mês de março vai começar com o lançamento de O Pacto Donald — Trump, de Nuno Rogeiro. O livro, que chegou às livrarias logo no dia 1, procura analisar as causas da eleição de Donald Trump, investigando as consequências para os Estados Unidos da América e para o resto do mundo (Portugal incluído). A obra inclui ainda um retrato histórico dos Estados Unidos. No final do mês, a editora vai lançar Conversas Finais, de Bento XVII com Peter Seewald. Neste livro, Bento XVII quebra o silêncio e faz um balanço da sua vida e do seu pontificado.

Pela Casa das Letras saiu, no mesmo dia, Os Flechas, A Tropa Secreta da PIDE/DGS na Guerra de Angola, de Fernando Cavaleiro Ângelo. Para o livro, o primeiro publicado em Portugal sobre este grupo paramilitar autóctone criado durante a guerra de Angola, Fernando Cavaleiro Ângelo baseou-se em documentos e fontes históricas inéditas. Este incluiu ainda o testemunho do antigo inspetor da PIDE, Óscar Cardoso, criador dos “Flechas”.

A Oficina do Livro vai publicar a 21 de março Quando Portugal Ardeu, um livro de Miguel Carvalho sobre alguns acontecimentos violentos que marcaram o pós-25 de Abril. Recorrendo a documentos, entrevistas e testemunhos inéditos, Miguel Carvalho “traz à luz do dia”, nas palavras da editora, “histórias secretas ou esquecidas da contra-revolução”, abrangendo um período que vai desde 1974 até 1979, quando foi assassinado a tiro o industrial Joaquim Ferreira Torres.

Pela Bertrand vai sair 1917 — O Ano que Mudou o Mundo, de Angelo D’Orsi, Regresso à Pequena Ilha, de Bill Bryson e Manipulação da Verdade — Operações de Falsa Bandeira, de Eric Frattini. Frattini vai estar em Portugal no dia 2 de março para apresentar o livro na Livraria Bertrand do Dolce Vita Picoas Plaza, em Lisboa. A sessão de lançamento está marcada para as 18h30.

“A Sétima Função da Linguagem”, os diários de Pedro Mexia e o segundo volume da tradução da Bíblia de Frederico Lourenço são alguns dos lançamentos de não-ficção

A Quetzal vai editar o segundo volume da nova tradução da Bíblia, feita diretamente do grego, de Frederico Lourenço. Este segundo volume irá reunir os Atos dos Apóstolos, as epístolas de São Paulo, os Evangelhos de Tiago, João, Judas, Pedro e ainda o Apocalipse que, de acordo com a editora, “nunca atingiu, na nossa língua, esta beleza e este rigor”. O primeiro volume da Bíblia, publicado em setembro do ano passado, já vendeu mais de 20 mil exemplares.

Esta foi a primeira vez que se publicou uma versão da Bíblia para todos os leitores, crentes e não crentes, traduzida diretamente do grego”, referiu a Bertrand, grupo editorial a que pertence a Quetzal, num comunicado. “Trata-se da Bíblia mais completa da nossa língua, apresentada pelo mais importante e prestigiado dos tradutores do grego clássico, Frederico Lourenço, Prémio Pessoa 2016.”

Pelas Edições 70 sairá A metamorfose do mundo, um livro do sociólogo Ulrich Beck sobre as alterações climáticas e a forma como estas estão a mudar a sociedade, e Os Inimigos Íntimos da Democracia, do pensador, linguista e teórico da literatura búlgaro Tzvetan Todorov, sobre o novo inimigo da democracia — a própria democracia. Já a Actual vai lançar O Grande Reajustamento: As Guerras do ouro e o Xeque-Mate Financeiro, de Willem Midelkoop. Neste livro, o autor propõe um reajustamento significativo para dar um novo rumo ao sistema financeiro global, que vê no dólar o seu modelo de referência.

No ano em que se celebram os 70 anos da RTP, a Tinta-da-China vai lançar A RTP em Imagens: O Entretenimento na Era do Preto e Branco. 1957-1979. O livro reúne fotografias de cena de emissões emblemáticas do canal de televisão, como “Cenas da Vida de Uma Actriz” ou o Festival da Canção, e explosões de audiências com “Zip Zip”, “Quem Sabe, Sabe!” ou “A Visita da Cornélia”. Pela Tinta-da-China vai ainda sair Malparado: Diários 2012-2015, de Pedro Mexia.

A Orfeu Negro vai publicar Performance na Esfera Pública, uma coletânea de textos teóricos e páginas de artistas reunidos por Ana Pais. O lançamento obra, que inclui contributos de Claire Bishop, Peggy Phelan e João Galante, entre outros, acontecerá numa altura em que se celebra o centenário da Conferência Futurista (proferida por José de Almada Negreiros a 14 de abril de 1917), um marco inaugural de uma possível história da performance portuguesa. O livro será apresentado no dia 10 de abril na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A Planeta vai editar Star Wars — Making Of A Guerra das Estrelas, um livro de J.W. Rinzler que revela todos os segredos dos bastidores da criação do argumento, pré-produção, casting, design do guarda-roupa e da montagem dos cenários (entre muitas outros pormenores) do primeiro filme da saga “Guerra das Estrelas”. Além de entrevistas perdidas dos arquivos oficiais da Lucasfilm, o livro inclui material exclusivo, storyboards nunca vistos e as primeiras descrições do Universo Expandido feitas por George Lucas. Nas livrarias a 8 de março.

A Guerra & Paz vai editar Io Appolloni – Uma Vida Agridoce, a história de Giuseppina Appolloni contada por Carlos Quintas. Já a Contraponto vai lançar 43 anos e 6 meses de má política, de Luís Naves, uma compilação de frases de políticos portugueses, veiculadas pelos órgãos de comunicação social, que nos fizeram rir, que nos surpreenderam, que nos perturbaram, e que nos explicam como Portugal viveu os últimos 43 anos.

Infantil e infanto-juvenil

Não Tenho Medo do Escuro, de Jakub Cenkl e Helena Haraštová, vai sair em março pela Jacarandá. A Orfeu Negro Mini vai publicar Aqui Há Gato!, de Rui Lopes e Renata Bueno, e CRAC!, de de Carmen Chica e Martina Manyà. O primeiro conta a história do rei D. Chato, que fazia sempre tudo da mesma maneira, e o segundo fala de um céu de muitas cores que um dia fez crac!

A Nuvem de Letras vai publicar Socorro, o que me está a acontecer?!, um livro de Annalisa Strada que reúne todas as perguntas que todos os miúdos sempre quiseram fazer sobre a adolescência e nunca ousaram. A D. Quixote vai editar A Bela e o Monstro, a história do filme com Emma Watson que chega aos cinemas portugueses a a 16 de março.

Pela Presença irá sair Filhos do Vento e do Mar, o segundo volume da trilogia sobre a descoberta dos Açores da autora bestseller Sandra Carvalho.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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IAVE

Errare humanum est… exceto para o IAVE!

Luís Filipe Santos

É grave tal atitude e incompreensível este silêncio do IAVE. Efetivamente, o que sempre se escreveu nos anos anteriores neste contexto foi o que consta na Informação-Prova de História A para 2018.

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