Luciano Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), admitiu esta manhã que é possível, num cenário limite, os juízes entrarem mesmo em greve no seguimento de tudo o que tem acontecido nos últimos dias.

“Caso o ambiente em redor da arbitragem não mude, todos os cenários são possíveis. Nós queremos que as coisas decorram com a maior tranquilidade. Tudo é possível”, defendeu o dirigente no Fórum da Antena 1.

Em paralelo, Luciano Gonçalves explicou que estão a ser desenvolvidos vários pontos a nível de alteração de regulamentos para “acabar com estas situações”. “Estamos a trabalhar na sugestão da alteração de regulamentos, para que se possa acabar com isto. Os clubes têm de ser penalizados e os próprios adeptos também o podem ser”, argumentou a propósito das eventuais medidas a tomar.

“A arbitragem assume a sua quota-parte sempre com o objetivo de melhorar. Se não mudarmos as mentalidades, não haverá qualquer alteração. O número de pessoas envolvidas aumentou nos programas televisivos, bem como a pressão mediática”, completou.

Os atos de vandalismo no estabelecimento comercial do pai do árbitro Jorge Ferreira, que tinha apitado o Estoril-Benfica para a Taça de Portugal, foram a última gota num oceano de problemas que já levaram, de acordo com o DN, a 52 participações ao Ministério Público por ameaças a árbitros e familiares.

Em termos históricos, nunca houve uma greve geral dos árbitros mas já existiram alguns boicotes a clubes específicos, nos anos 90 e, mais recentemente, em 2011.