Bitcoin

Uma “bitcoin” já vale mais do que uma onça de ouro

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Os chineses adoram a "bitcoin". O anonimato permitido pela cripto-moeda ajuda a contornar as limitações que existem para a movimentação de dinheiro no país.

YOSHIKAZU TSUNO/AFP/Getty Images

(notícia corrigida com o valor exato da cotação da bitcoin, que tocou os 1.268 dólares, não 1.1268 dólares como foi escrito originalmente)

O valor de uma bitcoin superou na quinta-feira, pela primeira vez, a cotação de uma onça de ouro. A procura por parte de cidadãos chineses, que usam o anonimato permitido pela moeda digital para contornar as limitações que existem na movimentação de dinheiro, estará a ser decisiva para que a bitcoin esteja a recuperar valor depois das dificuldades vividas em 2014, após o colapso de uma das maiores bolsas de bitcoins, onde estas são transacionadas e registadas.

Uma bitcoin chegou, na quinta-feira, a equivaler a 1.268 dólares. Não é um máximo histórico, mas é a primeira vez que uma unidade da cripto-moeda supera o valor, em dólares, da unidade de medida mais comum para o ouro, a onça (que cotava quinta-feira nos 1.233 dólares).

A popularidade da bitcoin tem crescido um pouco por todo o mundo mas existe, também, algum receio da volatilidade que a moeda tem evidenciado. Daí que várias entidades, incluindo o Banco de Portugal, tenham vindo fazer alertas sobre a utilização destas moedas.

Como funciona a bitcoin, na prática

1 – Qualquer pessoa pode ter computadores a correr o software da bitcoin. Esses computadores têm que permanecer ligados para que possam processar as transações de bitcoins. Essas pessoas chamam-se, na gíria, mineiros de bitcoin.

2 – Em traços gerais esses computadores vão usando a capacidade de processamento para tentarem resolver complexas equações que, fundamentalmente, representam as várias transações.

3 – Essas transações são convertidas em blocks e registadas no chamado blockchain — uma espécie de registo supostamente inviolável com todas as transações de bitcoins feitas desde que a moeda foi criada em 2008.

4 – Por cada transação processada, os computadores geram novas bitcoins que o mineiro pode vender ou conservar. Por isso, competem para serem os primeiros a resolver as tais equações criptográficas que estão na base desta moeda digital e o processo repete-se a cada dez minutos.

No início do ano, as autoridades chinesas mostraram que não estão distraídas e querem acabar com a utilização da bitcoin para tirar dinheiro do país, de forma ilegal. O facto de a cotação continuar a subir parece indicar que as autoridades chinesas não terão uma tarefa fácil pela frente.

A bitcoin é uma moeda descentralizada e global: descentralizada porque não é regulada por nenhuma entidade oficial; global porque é usada em praticamente todo o mundo — e se é a primeira vez que está a ouvir falar dela, temos dois trabalhos aprofundados sobre o tema, aqui e aqui. A quantidade de bitcoin (também chamada de oferta, ou supply) é controlada de forma automática por milhares de computadores em todo o mundo, programados para tal.

Quando a moeda foi pensada, o seu criador (ou criadores) Satoshi Nakamoto fê-la para que a oferta fosse deflacionária por natureza, ao contrário de outras divisas cuja oferta é teoricamente ilimitada. Assim, Nakamoto programou o software para reduzir gradualmente a oferta de bitcoins. Um empresário australiano afirmou em 2016 ser o criador da bitcoin, mas a história continua envolta em muito mistério.

Além da utilização para movimentação de dinheiro em moldes ilegais na china, a bitcoin também é aceite por cada vez mais comerciantes em todo o mundo, incluindo a Microsoft, a Dish e a cadeia de restaurantes Subway.

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