O secretário-geral do PCP defendeu este sábado que Portugal continua confrontado com sérias ameaças e criticou o Governo socialista por “obsessão” na redução do défice e por resistir reverter as leis laborais aprovadas pelo anterior executivo.

Estas posições foram assumidas por Jerónimo de Sousa no encerramento do comício comemorativo do 96.º aniversário do PCP, que encheu o salão da Voz do Operário, em Lisboa.

Na sua intervenção, o líder comunista insurgiu-se contra a “obsessão do défice, como se fosse esse o grande problema nacional”.

Uma linha que, de acordo com Jerónimo de Sousa, visa “secundarizar um dos problemas centrais do país: a dívida insustentável que impede o investimento, consome recursos e riqueza nacionais e gera um insuficiente crescimento económico, que é cada vez mais incompatível com uma política de obsessão pelo défice”.

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“O crescimento económico e o aumento do emprego podia ser outro se a política de redução do défice a todo o custo, a reboque de imposições externas – e até para lá delas -, não implicasse a forte redução do investimento como há muito temos visto”, sustentou.

Jerónimo de Sousa interrogou-se depois como é possível alguns vangloriarem-se de Portugal apresentar “um défice tão baixo, até inferior às exigências da União Europeia, quando se sabe que uma décima desse défice representaria mais 180 milhões de euros, o que contribuiria para aumentar o investimento e dar resposta às necessidades do Serviço Nacional de Saúde”.