Centenas de pessoas manifestaram-se este sábado no cais fluvial de Vila Velha de Ródão contra a poluição do rio Tejo e seus afluentes. Exigem medidas concretas do Ministério do Ambiente

“É necessário que o Ministério do Ambiente e a Agência Portuguesa do Ambiente tenham mão firme [sobre os poluidores] porque o diagnóstico está feito”, disse Samuel Infante, da Quercus, associação ambientalista que integra o movimento proTEJO, que organizou esta manifestação e estimou que 500 pessoas tenham hoje aderido ao protesto, o segundo já convocado por causa desta questão.

O ambientalista sublinhou que continuam a registar-se descargas poluidoras diariamente, situação que diz não poder continuar. “É possível um desenvolvimento sustentado desde que quem atribui as licenças tenha vontade política de cumprir a lei”, frisou.

Os manifestantes, que se concentraram no cais fluvial de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, iniciaram depois uma marcha que culminou com a leitura de um manifesto em frente aos portões da empresa Celtejo, fábrica de pasta de papel da Altri.

À Lusa, Carla Graça, da associação ambientalista Zero, realçou a “incapacidade” das autoridades competentes para resolver a situação da poluição no rio. “Há uma incapacidade das autoridades competentes para solucionar o problema. Têm de ser os cidadãos a exigir que se resolva este problema. Isto é inadmissível num Estado de direito”, sustentou.

Entre os manifestantes estão autarcas de Vila Nova da Barquinha, Mação, Entroncamento, Abrantes, Gavião, Ortiga, Praia do Ribatejo, Nisa e Tancos.

Paulo Constantino, porta-voz do movimento proTEJO, disse na sexta-feira à Lusa que a manifestação foi convocada para Vila Velha de Ródão por ser “a zona onde se tem verificado maiores níveis de descargas poluentes, estando ali identificadas as empresas poluidoras na região com descargas em níveis acima do permitido e que vêm agravar o estado do rio Tejo para jusante, em todos os municípios até Santarém”, num troço de cerca de 150 quilómetros.

O representante disse à Lusa que se trata de um protesto pacífico contra os níveis de poluição no rio Tejo, com participantes oriundos de vários pontos da região Centro. Também aderiram associações ambientalistas espanholas.

Segundo o movimento, “as águas do rio Tejo estão negras, cheias de mantos de espuma branca e que consubstanciam casos de poluição extrema, devidamente fotografados e filmados por membros do proTEJO e cidadãos preocupados”.

Por isso, as associações ambientalistas exigem que o Governo tome medidas imediatas em relação às licenças de emissões poluentes das fábricas.