Não estava fácil a Jesus encontrar quem fizesse com Bas Dost o par ideal no ataque. E tentou de tudo o treinador: o outro Ruiz, Bryan; André “Balada” — que entretanto até já foi à vidinha dele –; muito raramente o também holandês Castaignos — entendiam-se na língua mas falavam chinês um com o outro no relvado –; uma vez ou outra Joel Campbell ou Markovic. E nada. Até que, vindo dos confins de um ginásio onde perdera os (muitos) quilos que trouxera a mais do Verão, surgiu Alan Ruiz e nasceria então um bromance de entendimento no futebol… mas também no que a golos diz respeito.

Curiosamente, até tem sido o holandês quem mais assiste Ruiz e não o contrário. A passe do argentino, Dost só numa ocasião “molhou a sopa”, contra o Feirense. Por sua vez, e depois dos golos que fez “endossado” pelo holandês ao Moreirense e ao FC Porto, Ruiz voltou esta noite a ser assistido: quarto golo, terceiro a passe de Bas Dost.

À esquerda, contavam-se 35′, Esgaio cruza longo para a área, Bas Dost surge nas costas de Josué ao segundo poste, não cabeceou na direção da baliza, amorteceu para trás — e, assim, trocou as voltas a toda a defesa do Vitória –, onde Alan Ruiz surgiu a rematar de primeira com o pé direito (que até é o pé “cego” neste canhoto) para o primeiro golo. O remate foi enroscado e, com isso, saiu-lhe para a direita. O guarda-redes do Vitória, Miguel Silva, esperaria (ele e os centrais, que erigiram uma “muralha” diante da baliza) que seguisse para o lado contrário — a inclinação do corpo de Ruiz assim o fazia prever –, atiraram-se para lá e, em resultado disso, foi ver depois Ruiz e Dost a apontarem um para o outro, sorridentes: viv’ós bros. O Sporting chegava ao intervalo em vantagem.

Mas o jogo, até então, foi tudo menos uma noite de núpcias. E a diferença no placard esteve sobretudo no aproveitamento que um e outro, Sporting e Vitória, fizeram das (poucas) oportunidades de golo de que dispuseram. E a primeira (12′) em Alvalade até foi para os visitantes. Estranho? Não. É que na frente Pedro Martins colocou de início Marega, Paolo Hurtado, Sturgeon e Hernâni. Ou seja, este Vitória era tudo menos de “retranca” e cedo demonstrou ao que veio: veio para vencer ou, pelo menos, atanazar a vida ao Sporting. E quando sai em contra-ataque, o Vitória sai veloz.

Marega descobriu (o maliano encontrava-se ainda antes do meio-campo) Hurtado na esquerda com um passe a “rasgar”, o peruano foi ganhando metros atrás de metros, sempre veloz, ultrapassou Schelotto, mudou a bola de flanco, à direita estava Hernâni — para quem o relvado é sobretudo uma pista de tartan –, que ajeitou a “menina”, puxou da canhota atrás e… aqui vai disto. O remate foi forte, colocadíssimo, mas Rui Patrício (que hoje chegou ao jogo 402 e é o quinto sportinguista mais vezes utilizado na história do clube) reagiu a tempo, esticou-se todo e desviou a bola rente, rentinha ao poste esquerdo.

O recomeço foi repartido, mas sem oportunidades de monta. Até que cheirou a golo quando decorria o minuto 68. Quatro toques, apenas quatro. 1) Joel Cambell deixou a bola em Gelson na esquerda — depois, Campbell começou a correr na direção da área –; 2) Gelson desmarcou Bryan Ruiz nas costas da defesa do Vitória, quaaaaase no limite do fora-de-jogo; 3) Bryan cruzou recuado para a entrada da área; 4) quem entretanto lá chegou (leia-se: à entrada da área) foi o costa-riquenho Campbell, que rematou de primeira com o pé esquerdo, um remate que passou um palmo ao lado do poste direito de João Miguel Silva.

Pedro Martins, o treinador do Vitória, não gostou do que viu e, à imagem de Quinito, resolver meter “a carne toda no assador”. Aos 72′ sairia Hurtado para entrar Rafael Martins. O Vitória jogaria daí em diante com dois ponta-de-lança: ele, Martins, e Marega. A substituição resultou pouco depois, aos 76′.

Josué, o central Josué, qual Mats Hummels qual quê, subiu meio-campo do Sporting fora, entregou a bola em Hernâni à entrada da área, este tentou segurá-la no pé esquerdo mas, sem querer, o que conseguiu (a bola ressaltou-lhe no pé) foi desmarcar Rafael Martins nas suas costas — que eram também as da defesa do Sporting. Depois, Martins cruzou recuado e Marega, sem marcação, rematou de primeira na direção do poste esquerdo, sem hipótese de defesa para Patrício. O maliano não fazia um golo desde outubro.

E assim o Sporting ficou a doze pontos do Benfica e onze do FC Porto. Dificilmente dará para o apuramento direto para a Liga dos Campeões, quanto mais para o título. É caso para dizer da triste temporada do Sporting, citando o tio-avô de Bruno de Carvalho, Pinheiro de Azevedo: bardamer… pois, isso.