O diretor da CIA à data das eleições presidenciais americanas negou que a agência de segurança nacional tenha colocado o então candidato Donald Trump sob escuta. Em declarações à cadeia americana NBC, James Clapper afirmou ainda desconhecer a existência de uma ordem do tribunal a permitir a vigilância da Trump Tower, o edifício de Nova Iorque que foi usado como a sede da campanha do atual presidente dos Estados Unidos

O esclarecimento surge depois de Donald Trump, mais uma vez através do Twitter e sem apresentar fundamentação ou qualquer prova, ter acusado o seu antecessor, Barak Obama, de ter colocado sob escuta os seus telefonemas. Trump associa estas acusações a escândalos de espionagem na política americana, como o Macarthismo e o caso Watergate que motivo o afastamento do republicano Richard Nixon da Casa Branca em 1975.

Trump acusa Obama de ter posto “escutas” na Trump Tower antes das eleições

Donald Trump alegou ainda que uma investigação às alegadas interferências russas na campanha americana deveria envolver também o potencial abuso do poder executivo por parte do seu antecessor. A Casa Branca já pediu ao Congresso que investigue esta denúncia feita pelo Presidente.

James Clapper, que abandonou o cargo do diretor da CIA, assim que Donald Trump tomou posse a 20 de janeiro, adiantou ao programa Meet the Press de que não existia qualquer atividade de escutas telefónicas montada contra o então candidato republicano, nem contra a sua campanha. E acrescentou que, enquanto diretor teria conhecimento de qualquer ordem nesse sentido. “Posso absolutamente negar”.

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Algumas notícias sugerem que outra agência de segurança, o FBI, terá tentado obter um mandado junto do tribunal dos serviços de informação e segurança para poder monitorizar membros da equipa de Trump, suspeitos de contactos irregulares com responsáveis russos. Esse mandato teria sido recusado num primeiro momento, para depois ser concedido em outubro, informação que o testemunho de Clapper parece desmentir.

Ao abrigo da FISA (Foreign Intelligence Surveillance Act), escutas telefónicas só podem ser aprovadas se existirem indícios fundados que o alvo da vigilância é um agente de uma potência internacional. Logo, o Presidente Obama não poderia ter pedido um tal mandado dentro da lei americana.

Na mesma entrevista, o antigo diretor da CIA também afirmou que não foram encontradas provas de conluio entre a equipa de Trump e o Governo russo.